segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Se calhar é isto...

É isso. É essa uma das coisas que mina relações. Bem sei, que a convivência, amiúde, dia a dia, trás destas coisas. Não se houver esforço, mas esta coisa do esforço custa. E o ser humano é comodista. Já está. Já estou arrumado/a, e agora aguentas. Com o mau feitio. Com o desleixo, com isto e com aquilo. Para que investir em algo que já nos pertence? Para nada. Há que guardar esforços, para o resto do dia a dia. Para o trabalho, para a casa, para os filhos. É um ciclo vicioso, com um percurso trémulo, e um fim previsível. Um fim, literal, ou uma acomodação, pacifica, ou nem por isso, mas acomodação. Oiço, e revejo tantas histórias que por mim passaram. Custa-me perceber este desinvestimento no outro, como se a vida pudesse ser levada assim, de forma lassa, reles e descuidada. De semana trabalha-se, e levam-se os miúdos à escola. À noite janta-se sopa, e uma pizza feita no microondas. Ao fim de semana vai-se ás compras, janta-se na sogra, aspira-se o carro. Ao sábado à noite pica-se o ponto. De forma higiénica e rotineira, porque não vale a pena grandes empenhos. Até porque a cabeça dói, o cansaço aperta, e na televisão dá qualquer coisa de interesse, gira que se farta, como um Marco Horácio aos saltos, ou algo do género.
Pior, é que o tempo passa, e ás vezes, alguém quer mais. Alguém sente a falta do passeio de mão dada, que os filhos toldam, mas não impedem; alguém sente falta de um sussurro ao ouvido, com algo doce, ou malandro, dependendo da disposição; alguém sente a falta do jantar a dois, com uma vela no meio, e uma sobremesa de chocolate. Que pode ser um fonduue, ou assim. E que depois poderia dar origem a outras viagens, daquelas sem limites, pouco higiénicas, com banhos de chocolate.
De salientar sempre, a importância do investimento dos dois, porque estas coisas são duais, e não singulares. De salientar que a vida é dura, mas que nos cabe a nós aligeira-la. Ou então não, e ficamos assim. Não esqueçam, é que a tendência negativa, chegando ao fundo, é dificil reverter.
Se calhar é isto. Diz-me tu, mas calhar é.

5 comentários:

  1. Sim é provável que seja.. revi neste texto alguns erros que levaram ao fim do meu casamento.. culpa dos dois.. mas com traição por parte dele.. se tudo isto levou à traição? não sei.. eu não trai.. nem nunca senti essa necessidade.. a verdade é que ele depressa seguiu em frente e eu fiquei no fundo do poço..enfim..vidas..

    Beijinhos :)

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  2. Olá...

    Talvez não seja... das minhas certezas, tento sempre falar pela experiência pessoal, e o que mais admiro nas mulheres é a sua determinação e afirmação na vida social-profissional-independência-carreira, contudo existe o reverso desta ascenção.

    Não estou aqui a indicar culpados, estou simplesmente a falar na variável tempo que antes faltava a apenas um membro do casal (dada a sua vida profissional) e agora faltam aos dois.

    E tudo começa com: "Eu não sou doméstica!" ou "Estas sempre a criticar o que faço aqui em casa!"

    Sou mais a favor que os homens devem continuar a paparicar as mulheres, para os homens que
    não o façam, vou dar-lhe um exemplo... o que acontece quando a manteiga sai do frigorico e fica exposta ao sol... derrete... façam por ser SOL para as mulheres e deixem-nas derreter... vem a noite e ambos levam outra vez a manteiga ao seu estado normal (percebem do que falo), e assim sucessivamente.

    Fica bem paparicar... estes dias ouço isto de algumas amigas, "não posso ir almoçar com FULANA, está sempre a receber paparicos do marido, via sms, etc... conversas do tipo dêem-lhes uma cama... que inveja que aquilo me provoca... sempre de sorriso na cara".

    Aplico muito e, de forma actual, a palavra suporte, se os dois trabalharem e tiverem a sua carreira profissional, ambos devem dar e ser o suporte constante um ao outro, e suporte já sabem ... é aquilo que apoia tudo.

    Parabéns CF, pela oportunidade deste tema.

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  3. Eu apostava no fundue, para começar :):)

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  4. Blue and Green, concordo com tudo. Esse paparico, é sem dúvida uma das coisas que falta muitas vezes. Só acho que não tem de ser exclusivamente de vocês para nós. Um sorriso :)

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