segunda-feira, 18 de junho de 2012

Mercado

É mercado do mês. No chão de terra batida dezenas de barracas de ferro e contraplacado armam-se no momento da venda e são cobertas de coisas diversas que possam ser precisas à população, sempre a preços regateáveis. As pessoas chegam em torrente, como se almejassem o momento em que podem comprar e levar para casa utensílios, géneros ou roupa, que por certo tornarão os seus dias muito mais felizes. A aquisição do que quer que seja, e desde que não venha em necessidade supridora de alguma doença ou afinidade, assume-se sempre como uma realidade prazerosa que nos anima os dias, quer a compra seja uma alface viçosa, um vestido florido, ou uma saca de milho amarelhinho que fará engordar os animais da capoeira. O que eu não consigo muito bem perceber é a pertinência do teor das bancas que vejo da estrada, mesmo rente ao limite da feira, e que exibem entre outras semelhantes, boxers de homem floridos e slips de senhora feitos em renda preta e adornados a pom pons cor de rosa, todos airosamente presos com molas de roupa coloridas, num aparato de regalar até o olho mais distraído. Não tenho nada contra o assunto, atentem, mas de facto, e tendo em conta a faixa etária e populacional que vejo entrar e sair do território, parece-me que aquelas peças possam encontrar-se um tanto ou quanto desenquadradas ou fora de sítio, mas se calhar até nem é o caso, dada a frequência da ocorrência, todos os meses, à terceira segunda feira, logo pela manhã, faça chuva, sol ou qualquer uma outra intempérie de que se lembrem assim de repente. Esta visão matutina adornada de ideias turvas e entorpecidas, que me povoam a este dia em especial, fazem com que desde logo imagine cá dentro do meu mais intimo território a senhora de totó na cabeça e  consideravelmente roliça que se abeira da banca dentro de tal indumentária, que por certo lhe assentaria na perfeição. Os tempos são de crise severa, e a realidade é que tudo o que nos incite à denguice do corpo e ao devaneio da alma só pode ser bem vindo, mesmo que seja na banca da feira, e de forma  exposta ao vento. As segundas de manhã afinal até  podem ser boas. Sou só mesmo eu que não simpatizo nada com elas.

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