sábado, 14 de maio de 2011

Divisões

Cá dentro, estamos divididos. De um lado, encaixamos a compreensão, a racionalidade, o entendimento. Do outro, temos o sentir. De nada nos vale um sem o outro, que a subjugarmos-nos a apenas uma das vertentes, entramos num circulo sem fim, totalmente direccionado e desfasado da realidade, que de ambos necessitamos para um Eu coerente, sensato, adaptado. Encontramos-nos porém, muitas das vezes, num dilema. Quando entendemos e compreendemos, mas depois, numa tamanha afronta do nosso Eu mais profundo, entramos em sofrimento, porque o nosso sentir, pobre de si, não se satisfaz com estas teorias concretas, boas de escrever e de analisar, mas tão, tão distantes do que nos move cá dentro. É nessas horas que entendemos os afastamentos, ao mesmo tempo que os choramos, que percebemos o cansaço quando trememos por descanso, que contemos o nosso interior, quando lá dentro ele transborda. Há dias, em que me canso de entendimentos, e de linhas certas e muito coerentes. E em que me apetece, numa leviandade exacerbada, ingressar no meu corpo, e tirar cá para fora o que sinto lá dentro. Sem correcções, compreensões, ou quaisquer outro tipo de deveres. Provavelmente, chegaria ao caos, trazido pela total ausência de razão. Ainda assim, e pudesse um dia escolher um deles, temporariamente que fosse, sentiria em plenitude. E deixar-me-ia levar por num embalo doce, totalmente livre e meu. Temeria apenas o despertar, que mais não faria do que trazer-me de volta ao mundo real, corroído por ambos os extremos, que se atropelam por incompatibilidades diversas.

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