sexta-feira, 14 de maio de 2010

Disturbios assim


Encontro num jornal um artigo sobre bulimia, acompanhado de uma reportagem sobre um novo documentário, um caso verídico. Ou não soubera eu do que falo, ou as doenças da mente, contrariamente ao que muitos pensam são devastadoras. Algumas, muitas delas não se deixam ver, e surgem, apenas e só, dentro de quem as sente, do mais interno que há. O estado de espírito altera-se, a vida ganha contornos sombrios aqui e acolá. Nas menos discretas, vêm-se actos da chamada loucura, esquizofrenias, paranóias e essas coisas assim. Nas mais envergonhadas, o individuo vive um tormento profundo, uma luta interna entre frentes diversas que o descontrolam ao limite, e fazem com que obsessões, depressões ou outras, apareçam. Sem feridas, sem sinais visíveis de fora, e por isso, muitas vezes incompreendidas, ou até despercebidas. Temos por aí diversas equipas, mas claramente insuficientes. Nas escolas a procura é muita, o psicólogo divide-se, mas não chega para cobrir as necessidades crescentes. E é maioritariamente na adolescência, como sabeis, que surgem as anorexias, as bulimias e todas as perturbações alimentares que poderão a longo prazo, assumir consequências trágicas, quando não detectadas atempadamente. Não me canso de ler artigos sobre o assunto. Não me canso de acompanhar lutas, algumas bem de perto, de jovens que quase caem, para alguém detectar os sinais de alarme. Não condeno atitudes parentais, numa vida onde se corre mais do que se para, e onde o tempo que sobra, chega para o essencial, ou às vezes, nem para isso. Mas apelo à procura de informação, quando dá, quando há tempo, que esta, nunca é em demasia. Apelo ao esclarecimento sempre que surgem pequenas dúvidas. Apelo à acção, perante a suspeita. Do lado de quem precisa, temos, entre outras, a Grande Equipa constituída no Hospital de Santa Maria, liderada por Dulce Bouça, onde se distribuem brochuras com sinais de alerta, e tudo quanto possa valer em situação de necessidade de informação ou de intervenção.
Fechar os olhos é que não. E abri-los tarde, aqui, como em tanto lado, também me parece que não.

1 comentário:

  1. As doenças "invisíveis" aos olhos são as piores, as mais fortes e venenosas.
    Fantástico este seu texto...e o que falta na minha opinião é o DIÁLOGO entre os pais e filhos, neste mundo moderno,onde ninguém tem mais tempo para ninguém...
    Parabéns!

    Um beijo, Bia

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