quinta-feira, 20 de maio de 2010

Tardes assim


À tardinha, calcurriei a pé uma cidade de calçada, tenho queda para elas, que se faça. Pouca coisa me liberta tanto, como calcorrear ruas calcetadas ladeadas de lojas, para onde deito os olhos, a isto ou àquilo. Não preciso fazer compras, e as montras não têm de ser roupa. Uma rua que me delicia, fica dentro da linda Vila de Óbidos, pertinho de onde estive ontem. O castelo fica à volta, e bem no meio, entre restaurantes de aconchego, com toalhas de pano enroladas, e bares de ginginha doce, encontramos umas ruas estreitas, enfeitadas com sardinheiras coloridas, e cheinhas de lojas de artesanato. Com malas de retalhos e bonecas de trapos, daquelas que não compro, mas para as quais gosto de olhar, coisa gira esta, de regalarmos os olhos com coisas que nem queremos. A vila dispõe ainda de igrejas recatadas, com os seus átrios tradicionais e as suas árvores centenárias, onde o Pároco se passeia com uma calma como não há, por entre as escadas sombrias, e as fontes de água, que estão por todo o lado. Já lá passei algumas noites e dias memoráveis, já lá vi casar, já lá namorei.
Um dia, ainda gostava de voltar a namorar lá. A minha alma de menina que empurro para dentro, mas que teima em saltitar para fora, mal lhe dou uma aberta, precisa de romantismo, daquele, que nem sei bem, se ainda existe por aí.
Relendo o texto, descubro nuances de doçura. Não tem nada a ver comigo, foi só hoje, e passa num instante.

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