quarta-feira, 26 de maio de 2010

Soltar

O meu rebento hoje foi para o Oceanário. Deixei-o bem cedo, com uma mochila cheia de gulodices, entre as quais pão com Nutella, e muita boa disposição. Vejo mães, muitas mães, que deixam os seus, e quase que sinto uma sensação estranha. Sou do apego, do aconchego, claro. Mas estes caminhos, de quando o sinto crescer, dão-me tranquilidade, e muito pouca apreensão, coisa que verifico ser diferente, pelo que observo. Claro que sai sempre um tem cuidado, ou um não te afastes do grupo, mas não mais do que isso, no campo das recomendações. Apetece-me muito mais dizer que se divirta, que aprenda, que descubra, e que brinque até se fartar. Nem sequer levo o dia a pensar que algo de menos bom possa acontecer. Oiço muitas mães que vociferavam coisas como são os nossos filhos, temos de ficar preocupadas. Só sossego quando chegar. Serei estranha, por não sentir esta extrema preocupação? Talvez, admito que sim, mas não a sinto de facto. Não me ocorrem coisas como ligar para a professora, para saber se chegaram bem, pois parto do princípio que sim, e que caso contrário, eu saberia. A sensação que predomina é, volto a dizê-lo, de satisfação por o ver crescer, seguir, descobrir. A preocupação está cá, como está todos os dias. Como quando vai para a escola, como quando brinca no parque, ou como quando passeia com os avós. Nem será bem uma preocupação, mas mais um cuidado, um querer saber se está bem.
Conseguir solta-lo, e ele a mim, numa presença importante, mas não dependente, é a minha mais nobre tarefa. Não sei se certa, se errada, mas é a minha, que isto neste mundo cada um tem a sua.

7 comentários:

  1. Como a compreendo.Também sou um pouco assim e sempre pensei se seria eu menos mãe, do que as outras, por não estar sempre a perguntar se chegaram bem, para se portar bem. Viver em angústia não vale de nada, pois no fim eles divertiram-se e muito e nós passámos um dia de loucos.
    :)

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  2. "Conseguir solta-lo, e ele a mim, numa presença importante, mas não dependente, é a minha mais nobre tarefa" - Não podia concordar mais contigo, eu também sou assim, acho que serão as diferentes experiências a que o meu filho terá acesso que farão dele um ser com maior consciência do todo, claro que tenho o meus receios mas gosto que tenha liberdade para crescer...

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  3. Se assim for também sou estranha, mas prefiro achar que sou talvez informada... ou talvez recorde fielmente essa idade... ou talvez simplesmente não consiga cortar aquela liberdae inata de sonhar e crescer. Que sejam felizes, que sonhem e brinquem muito! (Vá, podem fazer isso tudo sem desarrumar muito, já não era mau)

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  4. Certíssima CF. Já passei por isso :)

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  5. Muito linda a sua maneira de ver isto...SOLTAR...é bem isto...SOLTAR.
    Quando a gente confia na gente mesmo, na educação e valores que estamos passando à nossos filhos, o "SOLTAR" torna-se tão natural quanto o AMAR, o QUERER...

    Parabéns!

    Um beijo!

    Bia

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  6. Não me soou nada estranha a tua perspectiva. Já tinha pensado que também eu fosse um bocadinho diferente das demais, mas afinal há mais como eu...
    Jokas

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  7. Ainda bem que há gente assim diferente! Já estou farta de mães histéricas.

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