terça-feira, 8 de junho de 2010

Ameixas


Num vaso bem defronte a mim, nasce uma miscelânea de flores coloridas, em vários tons, numa construção bem conseguida, do jardineiro que me arranja o jardim. Gosto desta variedade, já a fiz com cactos, e recorda-me ainda, a ameixeira do quintal dos meus avós. Uma árvore gigantesca, enxertada com uma outra qualidade de ameixa, numa experiência caseira mas sapiente, de um agricultor de tempos livres, que tinha a curtição de curtumes como profissão. Da mesma árvore nasciam então ameixas vermelhas e amarelas, sendo que as minhas favoritas eram as vermelhas, de um vermelho cor de cereja, por dentro e por fora. Gosto de bancas de fruta, como gosto de bancas de especiarias, como gosto de bancas de conchas. Gosto de as levar para casa, de as dispor, de as olhar, e de as cheirar. Nas bancas de frutas, destaco a ameixa, a nêspera, o ananás, os morangos. Quando me perco, em alguma praça de cheiro adocicado, e cheia de velhinhas de lenço na cabeça, e sorriso nos lábios, enquanto cortam caldo verde, ou arrumam a maçã, os meus olhos procuram a tal da ameixa, rara como só ela. Vejo a amarela, a vermelha por fora e amarela por dentro. A vermelha por dentro e por fora, encontro de longe a longe, e nunca, tão doces como as do quintal, nos entretantos vendido, e no qual nunca mais entrei. Serão estas?, pergunta-me a Luciana da Praça. Não são minha querida, parecem, respondo eu. Nas frutas, na vida, nas pessoas, e assim, o embrulho é de uma delicadeza danada. Comia uma agora já. Das vermelhas, por fora e por dentro, claro.

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