quarta-feira, 9 de junho de 2010

Momentos


Paro nas bombas, já com pressa, dado o meu carro não andar a água, pena minha, que já teria ido ao fim do mundo, montada nele. Espero uns minutos, pois o moço encontra-se em conversa com uma menina, de calção de ganga e camisa roçada. Ainda está na idade em que o frio não a atinge, vê-se logo, que o tempo, esse ingrato, não está para brincadeiras. Eu também já fui assim, que já vesti calção em pleno inverno, só para mostrar a magra perna ao meu ex marido, namorado da época, como se ele nunca a tivesse visto, enfim. Talvez por isso, por já ter sido, e já não ser mais, estas meninas de hoje me enervam. É a inveja, terrível pecado mortal a assolar-se de mim, que hoje, o melhor é por a perna na calça, ou quanto muito, vá lá, numa saia pelo joelho, para compor o ar, e disfarçar o rabiosque, faça chuva ou faça sol. O leve rubor na cara dos dois, leva-me a concluir do que se trata ali. Poderia até ter apitado e apressado o terno casal, e talvez até o tivesse feito num dia de TPM, que aqueles ares do too much love in praça pública às vezes complica-me. Mas hoje não. Esperei e mirei, qual voyeur de uma cena de amor. O beijo surge ao de leve no fim. O vermelho das faces intensifica-se, os olhares cruzam-se, ela afasta-se, e ele dirige-se para mim, a contragosto, claro.
São vinte euros, digo-lhe, com um sorriso, e com a vontade de lhe oferecer mais vinte pelo estado de espírito. Ou trinta, ou quarenta, ou...

3 comentários:

  1. A mim não me dá inveja, dá-me uma certa nostalgia...por outro lado, neste caso serão sinónimos?

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  2. O amor do rubor nas faces, foi bom de viver, intensamente..

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  3. Não era só o rubor, era aquele formigueiro, e os nós no estômago, mas depois do primeiro beijo, a coisa compunha-se :)

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