domingo, 6 de junho de 2010

Feiras

As feiras são sempre um estranho aglomerado de gentes. As que misturam gente com bicharada, tornam-se um aglomerado ainda maior e sem sentido, com um monte de animais desconformes dentro de cercas, e pessoas que os olham com ar de superioridade intelectual, coisa que às vezes, nem é bem verdade. À feira vai de tudo um pouco. A mulher loira e tia, magrérrima e com o filho pela mão, a quem trata, invariavelmente por você. A velha e o velho que mais não têm que os distraia ao Domingo de tarde, senão a feira, a tal da bicharada, e as farturas a tresandar a óleo queimado. O casal jovem de mão dada, que se deambula, como se naquela idade, não houvesse nada de maior interesse para fazer, tive pena destes, claro. A mistura de gentes causa-me algum fascínio. Lembro-me de uma vez, num apogeu popular, assistir nesta mesma feira, a um concerto do Toni Carreira, um must. Nunca tinha assistido ao vivo, ao fenómeno dos cartazes, com dizeres fantásticos, como beija-me na boca, ou casa comigo, numa mistura fascinante de Mulheres, Homens, gente nova, gente velha, e todo o tipo de gente. Fiquei ao longe na relva, o meu filho corria que nem um louco, vá lá saber-se porquê, a minha mãe vibrava com emoção, e eu, ao invés de ouvir a música, coisa estranha também esta, observei fenómenos fantásticos. O que a feira é capaz de fazer. Só ainda a propósito de tratar filhos por você. Acho a maior barbaridade de todos os tempos, como devem calcular.

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