sexta-feira, 11 de junho de 2010

Ossos do ofício

Sob ossos do ofício, sou obrigada a partilhar mesa de almoço com quatro homens engravatados. Empresários, porte altivo, até fiquei com a sensação que teriam conversa interessante. Enganei-me redondamente, e mereci o engano. Chego a julgar encontrar, algum nível de discurso, a quem tem carreira brilhante e se apresenta com cuidado, como se isso tivesse a ver. Nada mais errado. Mesmo em frente a uma Senhora, quase desconhecida, a conversa saiu frívola, sem qualquer ponta de interesse. Podiam ter-se esforçado qualquer coisita, e terem, por exemplo, eliminado do discurso aqueles chavões tipicamente masculinos, bons de dizer em sede própria, completamente despropositados na ocasião errada. Valeu-me uma pobre alma, que nestas coisas tenho alguma sorte, tal como nos estacionamentos, que surgiu a despropósito, e me livrou do martírio, já no pós café, que se adivinhava por demais longo para o meu gosto, dado que um dos ditos, até era licenciado em Psicologia, e mandava uns bitaites para o ar, a ver o que eu dizia. Eu, claro, pouco falava, perante tal cenário patético, o que ao invés de o acalmar, parecia que o atiçava. Um pesadelo.
Menina CF, toma lá que é para aprenderes, que estavas mesmo a precisar. Já andavas assim meio esquecida, das conversas supremas que tiveste em tempos, com o mendigo que subia e descia o eléctrico da Graça, roto e sujo como não há. Agora lembra-te.

4 comentários:

  1. Um cenário hilariante, sim senhora.
    As aparências iludem, e por vezes ainda bem.
    :):)

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  2. Ó jove, se as pessoas interessantes usassem gravata não tínhamos políticos!

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  3. As aparências iludem, sim senhora. Como diz o povo 'a albarda não faz o burro'. E isto serve para bem ou mal vestidos/as, nada de preconceitos.

    Beijoca.

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  4. Estive em tempos para fazer um post semelhante a este. De facto o preconceito de esperar de alguém engravatado uma boa prosa, cai por vezes por terra.
    Incrivel como neste mundo enorme se encontram tantas semelhanças nas experiências.
    Também já conheci uns quantos rotos, simples e humildes com uma sabedoria digna de fazer cair o queixo.

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