segunda-feira, 7 de junho de 2010

Indumentárias assim

Consigo nos dias de hoje encontrar gente de bata por aí, como se em casa tudo estivesse, logo eu, que julgo qua há coisas, que nem em casa se vestem. Bata lisa, atada na cintura, bata de flor. Avental bordado, ou meio avental com picot, também serve à minha história. Sou do povo, já captaram. Por vezes calcorreio feiras, mercados, e sítios onde vendem coelhos, galinhas e pintos. Onde a malta das aldeias vizinhas, de desloca com meia dúzia de euros na carteira, levada invariavelmente debaixo do braço, e faz o avio necessário ao estômago e ao corpo. Já por várias vezes, vejo as ditas penduradas nas bancas, batidas pelo sol e o vento, sendo que me fascinam especialmente as de cor azul, cravejadas de flores, talvez por me lembrarem as que vestia a minha avó. A minha avó era uma Mulher de bata. Uma delas, que a outra, a que já me deixou, não se deixava envolver por estas fatiotas, por demais quentes. Preferia uns calções, e uma qualquer camisola fresca. A avó Carmina, por sua vez, é a Rainha das batas. Ainda hoje, aos oitenta e muitos, se envolve nelas, todos os dias, e é com ela no corpo, que vai lavar a cabeça na Dona Rosa, invariavelmente à quinta, e diariamente à loja da tia Alice, a merceeira da aldeia, que me dava em tempos beijinhos doces. Também ela, a tia Alice, é adepta da bata.
Hoje, arranjam-me o jardim, e vejo pela janela, duas Senhoras na casa dos sessenta, de bata às flores, e boné na cabeça. Uma, mais nova, bem mais nova, copia-lhes o hábito e também enverga a dita. Há coisas eternas, e a bata deve ser uma delas, que só isso justifica, adornarem assim, moças casadoiras. Eu, por cá, vejo-as ao longe. Recuso ainda o avental. Não cozinho de salto alto e calça vincada, só se não calhar. Manias diz a minha mãe, que tem razão, claro. Um dia enfio-me numa da minha avó, a ver o que sinto. A moçoila que me ronda a janela, até tem um ar tão confortável.

3 comentários:

  1. Nem bata, nem avental, não gosto cá de coisas a prenderem-me. De salto alto nem pensar, com a mania dos saltos, chego ao fim da tarde com os pés a pedirem misericórdia e eu faço-lhes a vontade...umas havaianas ...
    Mas agora fiquei a pensar nos beijinhos que a merceeira te dava...há tanto tempo que não como beijinhos...lembras-te de cada uma!!!
    :)

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  2. A minha avó não dispensava a bata e o avental, eram outros tempos. Mas quem sabe os nossos estilistas não reenventam o conceito.. Bora dizer à Fátima Lopes? :)

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  3. Também por cá se usavam as batas e aventais. E também eu não gosto de tal indumentária, se bem que cozinhando com a roupa do dia-a-dia aparecem-me algumas nódoas indesejadas... ;(

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