segunda-feira, 14 de junho de 2010

Rezas e manjericos

Andei de metro, coisa que não fazia há muito. Jantei no meio da multidão, cheia de cabeças verdes, julgo que para fazer lembrar um manjerico. Dancei com a velha que os vendia, que tinha um cabelo branquinho, não tinha dentes, e fartou-se de rir para mim. Estive quase a comprar-lhe um, mas a carga para o resto da noite, tirou-me a coragem. Numa de menina malandra, ainda pus o nariz num, escondida, sem ninguém ver. Não sei se faleceu nos entretantos, se ainda se mantém, vou ficar na curiosidade eterna, que bem mereço. Ainda assim, levei com uma rosa ofertada por um digno Senhor, que ofereceu uma a cada Senhora da mesa, 10, ao todo. Um amor. O arraial foi por lá, entre calçadas, barraquinhas, e terminou num átrio de igreja, onde um conjunto de nome Nelson e Nelson, tocava dentro de uma carrinha de caixa aberta, onde havia para além dos Nelsons um Manel, com jogos de luzes, fumos e tudo, uma coisa muito moderna, sim Senhor. Dançou-se muito, comeu-se qualquer coisa, bebeu-se pouco, por mim falando, claro, que a maioria, fez exactamente ao contrário. Quanto às rezas, são por demais secretas, não posso partilhar.
No final, trouxe essencialmente a sensação, sempre reforçada, de que amo Lisboa. O bairrismo e o cheiro. Os sítios e as escadinhas.
A pernoita foi na casa da mana, onde um digno gato não me deu sossego, o malvado. Nunca vi tal coisa, que ronrona e morde ao mesmo tempo. Inédito, e muito condizente com a bicharada que ocupa a família.
Pela negativa, a sabrina que fui quase obrigada a calçar, pelo mulherio empolgado em salvar as minhas pernas e pés, que não iam aguentar, que iam ficar presos na calçada, que iam isto, que iam aquilo. Eu, que levava bem escondidinho, um sapatito azul de salto médio e de verniz, lindo como só ele. Que não sei porquê, causou o pânico em quem me acompanhava, que só sossegou, quando a malvada da sabrina poisou no meu pé. Comprada naquele dia à pressa, e já pronta para ir para o lixo, que fiquei-lhe com ânsias, vá lá saber-se porquê.

3 comentários:

  1. Bela festarola de Santo António.
    Bom começo de semana de trabalho.
    :):)

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  2. Muito bem, de sabrinas é que é.
    E a sardinha? Já sabe a alguma coisa? :-)

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  3. Não comi nem uma. Mas diz quem comeu que sim. Lá boa aparência tinham. Gordinhas...

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