quinta-feira, 24 de maio de 2012

Cidade

A minha cidade fecha a pouco e pouco. A cada dia uma porta em cada esquina uma janela. Fecha-se devagarinho e aos olhos do mundo como se nada fosse, e pudesse por isso desaparecer sugada pela envolta, comida pela grandeza efémera, devorada pela imensidão do capitalismo quebradiço. Não estou melancólica. Gosto dela como gostaria de outra, não me apego a sítios, a coisas ou a lugares. Nunca me apeguei, muito embora considere até uma falha da minha existência, quiçá facilitadora em processos de substituição de outras enormidades. Mas ainda assim não consigo deixar de sentir o perigo que constitui para o meu País o encerramento dos lugares médios, que hoje se encontram tapados por folhas de jornais velhos, abandonados aos pássaros, sujeitos às fúrias da desocupação. Um dia e em caso de levantamento, que aguardo em ânsia, confesso, teremos um caminho hercúleo a percorrer, a fim de elevarmos o que por ora cai, rasteja e apodrece.


3 comentários:

  1. Também testemunho isso perto do meu local de trabalho, que é uma das zonas nobres de Lisboa e sempre muito procurada devido ao seu comércio de rua (arredores da Avª Roma). Trabalho na zona há 16 anos e nunca vi igual... Entristece e é realmente assustador pensar para onde vão todas a pessoas que por ali trabalhavam e para onde vai o País, logo atrás delas...

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  2. É mau, de facto... E sim, atinge a capital, o que torna o fenómeno ainda mais preocupante...

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  3. E atinge as cidades pequenas, como Aveiro e agora a minha adotiva Ílhavo... e é triste, sim.

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