quinta-feira, 31 de maio de 2012

Palavras

As palavras, e muito embora nem sempre nos lembremos disso, são aquelas coisas nas quais podemos tropeçar a pontos de cairmos no chão aparatosamente e por tempo indeterminado. Nem sei se é legítimo que tal coisa aconteça, principalmente se tivermos em conta o facto de que não constituem mais do que um veiculo de comunicação entre pessoas, e que poderão ainda por circunstâncias diversas sair enviesadas,  ou seja, num acto que se deverá considerar falhado, poderemos dizer o que nem queremos que seja dito, de forma diferente do que se pretendia, num tom acima ou abaixo do desejado. E debruço-me então sobre algo que me prende por vezes o pensamento. Deveremos nós centrar a nossa atenção no que é dito? Ou antes na forma e na entoação que acomoda aquelas palavras que saem da boca do outro em direcção a nós em modo determinado? Soará melhor uma realidade má ouvida por palavras doces? Ou significará, e em termos de símbolo interno, exactamente a mesa coisa, uma vez que a realidade não muda em coisa nenhuma, e a fonte de transmissão é algo de passageiro, sendo que o que conta é o que a constitui?
Pela parte que me toca, e muito embora considere as palavras vãs, por motivos diversos que nem me apraz por ora enumerar, confesso que atribuo significado à forma da informação, muito embora não deixe de valorizar o conteúdo que a acompanha. Não aprecio discursos mornos, isentos de emoção ou de articulação devidamente colocada, podendo o efeito que surte em mim ser mais ou menos poderoso, de forma verdadeiramente subjugada ao interlocutor que me fala, e à forma como o faz. Se alguém amorfo me transmitir um discurso interessante, este poderá nem ser devidamente apreendido, tal como e ao invés, um discurso banal, de dissertação por exemplo da função de uma chávena nas nossas vidas, pode constituir-me interesse se for proferido por alguém capaz de me motivar, de gesticular o que me diz, de me encantar pela capacidade de comunicação.
Poderíamos continuar, existem diversas situações capazes de me fazes encarar palavras de determinada forma, mas o que eu queria mesmo era dizer que os discursos não devem vir ao mundo de forma leviana. Não devemos usar palavras avulsas e deconexadas, isentas de pensamentos, ditas da boca para fora. Em comunicação, e para que se dê em plenitude, deveremos considerar no mínimo duas pessoas, e a que recebe lê o que lhe foi dito encaixado num contexto. E o significado apreendido pode ser catastrófico se a intenção não foi cuidada, e se o discurso saiu ausente. Da boca para fora falemos sozinhos ou em momentos de descompensação devidamente justificados, para os quais podemos por exemplo recorrer aos serviços terapêuticos de alguém credenciado para o assunto. Os nossos, merecem cuidado. Merecem remendo em caso de queda pouco ou muito grave, sendo porém prudente manter em consciências que existem ainda, e levando ao expoente máximo o raciocínio e a gravidade, quedas aparatosas e possivelmente fatais. Aquelas que posteriormente tentamos remediar a ferro e a fogo, usando artimanhas mais ou menos eruditas, que às vezes chegam e às vezes não.

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