quinta-feira, 29 de abril de 2010

Modo repeat


Às vezes, ando em modo repeat, a fim de me obrigar a algo. Nem sempre resulta, mas acontece de vez em quando, e há que aproveitar. Ainda me lembro de em pequena, eu e a minha grande amiga Nádia, repetirmos muitas vezes que tínhamos de fazer os trabalhos de casa, enquanto andávamos de baloiço como se não houvesse amanha. Um baloiço de corda, e tábua, que quase voava do alto da oliveira, e que nos fazia voar com ele, como já não se voa hoje por cá. Adiávamos, repetíamos o dito, e por aí fora, até que íamos mesmo, já bem no limite, quando alguém berrava lá de dentro de casa. Presentemente, está algures perdida do outro lado do Atlântico, mas lembro-me dela vezes sem conta. Hoje lembrei-me assim muito, ao repetir um sem número de vezes algo que devia mas não queria fazer, conflitos internos, temos por cá. Repito também várias vezes pára, quando me lambuzo em chocolate desalmadamente. Aí, resulta mais ou menos, tenho dias. Também me lembro de sempre ensaiar coisas no espelho. Eu e uma homónima que passou pela minha vida em tempos de outrora, treinávamos discursos difíceis defronte ao dito, ou uma com a outra. Do género de, o que dizer ao rapaz que nos fazia luzir o olho. Treinávamos o que dizer, as caras que fazíamos, para onde olhávamos, uma panóplia de coisas. Hoje, também ensaiei quase assim, mas sem assistência, que estas coisas da adultez trazem-nos certo recato, que ainda não descobri se é bom ou se é mau. Interessa-me por ora que desta feita funcionou, e eu dou alvissaras a mim mesma que mereço. Não tenho vergonha de treinar coisas ao espelho. Toda a gente já o fez, embora possa dizer que não.

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