quinta-feira, 1 de abril de 2010

Pão, padarias, e assim


Gosto do cheiro do pão. Transporta-me, conforta-me, vem de tempos de outrora. Em pequena, o pão chegava à aldeia pelas mão de um padeiro velhinho, de cara enrugada e sorriso rasgado. Numa carrinha branca, que buzinava à chegada, e na volta da qual se reuniam gentes, de saco de pano, onde se podia ler em bordado manual, Pão. De dentro da carrinha vinha-me aquele cheiro, que ainda hoje me persegue. Na altura, o pão nem era propriamente um acepipe, muito menos o integral que a minha avó costumava comprar. Tenho para mim, que já era o cheiro que me fascinava.
Nas férias, invariavelmente na praia da Nazaré, o cheiro do pão andava nas ruas. Em cada esquina, existia uma padaria, com pão, arrofadas, sofias e outras delícias que eu levava para a praia enroladas em papel pardo, e que comia ragalada, após longas horas dentro da água gelada, que ainda estou para saber, como aguentava.
Já na cidade, constato a inexistência de padarias. O pão vendia-se em sacos de plástico furado, num qualquer supermercado, e quase não cheirava a pão. A minha ralação com elas reacende-se, quando me mudo para a Capital, até porque as coisas latentes em mim, são poderosas, e basta um aceno, ainda que ao de leve, pra se revelarem uma e outra vez. Nas portas do cemitério de Benfica, situa-se a padaria onde eu comprava, todos os dias, dois pequenos pães de cheiro delicioso. Nos dias em que me permitia, vinha ainda um pastel de nata, que me adoçava o lanche, ou a noite, envolta em livros de mentes estranhas.
No regresso à pequena cidade, senti-lhe a falta, claro. Juntamente com outras, imensas ou nem tanto.
Alguém por cá, me partilha a paixão, e eis que emergem novas padarias na minha cidade, duas delas, quase nas esquinas da minha casa. De um lado, pão e bolos do melhor que possam cheirar. Do outro, mais o pão. Numa variedade considerável, que vai do normal ao caseiro, do fofo ao recheado e por aí fora. Para juntar à festa, que me constitui a ida ao pão, vamos juntar um digno Senhor, alto e espadaúdo. Costuma usar um avental de um branco imaculado, e um lenço na cabeça. E sorri-me, sempre, quando me atende. Juntando esta delícia ao cheiro do pão, encontro dois dos meus sentidos plenos de satisfação. Fico sempre indecisa na hora da abalada, se traga o pão, ou se o traga e ele, chegando a pensar, já no delírio, em trazer os dois.
Tenho acabado sempre por trazer só o pão.

4 comentários:

  1. Eu vivo por cima de uma... que delicia que cheirinho, principalmente de madrugada! E logo eu que adooroo pão! :)

    Bjs

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  2. Há lá coisa melhor do que o cheiro do pão!!! :):):)

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  3. E esperar, de madrugada, por ele acabinho de fazer e ficar sentada num banco de jardim, com um pacote de manteiga ao lado, um daqueles grandes, saloios, no colo e ver a manteiga a derretar nele?! Hã?! hâ?! LOL

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  4. Hummm, está explicado o assunto do pão. Se fosse vendido pela Padeira de Aljubarrota, só comiam uma fatia :)

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