sábado, 17 de dezembro de 2011

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Em revista passaram um conjunto de fotos onde eles se riam, batiam palmas, dançavam, ou simplesmente olhavam. Uns já não estão, já se foram para um outro mundo distante que não sei onde fica. Outros estão, mas estão mais velhos, mais enrugados, menos bonitos. Uns deles sorriram a ver, outros choraram, outros ainda mantiveram-se indiferentes, seriam eles que ali estão, projectados na parede? Não sabem. Eu sei que são eles. Uns já foram, outros estão cá. Não pertenço à classe dos egoístas que querem guardar para sempre, pessoas que já acabaram. Num egoísmo quase inocente, mas egoísmo, ainda assim. Que os guardem na alma, e que se contentem por isso. Tudo acaba, até a gente. Guardo-os então cá dentro da memória, e hoje, só hoje, chorei. Ninguém viu, claro, que eu choro para dentro. E não foi sequer de tristeza pelos que não estão, pelos que estão mais velhos, mais doentes, menos bonitos. Foi pela alegria de os ter, ou ter tido a todos, e de lhes ter sempre deixado um sorriso. E eles a mim. São meus eles. Todos eles.

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