quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Sentires

- Podias sentir...
- Prefiro muito mais racionalizar.
- Não devias, sentir é melhor.
- Mas racionalizar é muito mais fácil.

Somos distintos, temos duas partes. Uma que sente a outra que explica e entende. A que sente, eleva-nos, mas pode vergar-nos. A que explica e entende, controla. Racionaliza. Não nos permite, mas também não nos falha. Daí deambular-mos internamente entre as duas, ora crendo numa, ora tentando a outra, quando a dor é grande e já não a queremos. É nessas horas que abafamos o corpo dentro de um invólucro fechado e apertado, acessível apenas a nós. E seguimos em coerência, segurança, sossego, mas ao mesmo tempo trémulos, carecidos. Ficamos ríspidos, amargos, não de essência, mas de abrigo. Um qualquer sítio que sustenta o ardor da alma, e agarra o corpo. Estranha-se por vezes esta excessiva capacidade que alguns adquirem, de se auto protegerem. Critica-se, diz-se ser medo, cobardia. É verdade. Não deixa de ser antagónica esta transformação em rocha, de um corpo que por fraqueza sucumbiu.

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