terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Estiquei-me neste. Por isso está divido. A quem tiver paciência é esperar, que já vem o resto.

Não era muito dada a sorrisos. Foi em tempos, segundo lhe contava sua falecida mãe, que sempre tinha sido uma criança bem disposta, munida de uma simpatia instintiva que lhe dourava o sorriso, mesmo por baixo das agruras que a vida lhe foi dando, mais do que muitas, como de resto, traz a todas as gentes que por cá deita, nem havendo por certo maior madrasta do que ela. Foi mãe muito cedo, não por obra da vontade, mas por obra do acaso, coisa tão ou mais poderosa do que a primeira, na qual não se tem nenhum tipo de imputação de tenção, são desígnios escolhidos vá lá saber-se por quem, que resolve salpicar o mundo de coisas diversas, incluindo pessoa nova, sem qualquer tipo de opinião sob os seus intervenientes, que à parte de proporcionarem o corpo à orgia da concepção, mais não fazem para além disso. E tal, tenho a dizer, não deveria trazer de arrasto tamanha consequência, que todos os seres do mundo, são susceptíveis de se entregar a tal comportamento, que constitui necessidade , ainda que inundada de devassidão. Mas traz, todos nós disso sabemos, e o melhor, em caso de desconsentimento extremo por tal estado de graça, é o devido cuidado, encabeçado pela privação, de carácter totalmente eficaz. Ainda se lembra de sua vizinha Aurora, muito moça quando arranjou encosto, num rapaz bem parecido da aldeia vizinha, dono de uma motorizada que lhe permitia a vinda até aos lugares do lado. O dito, vinha à terra aos fins de semana, frequentava a casa da rapariga, sob o olhar atento das mulheres do lar, que num certo dia, por altura de um qualquer acontecimento importante, se perderam em vistas pela TV recém-chegada à aldeia, e se esqueceram de fazer a devida guarda, desleixada por tempo suficiente para que os dois se escapassem para as chãs de fora, e dessem umas grandes voltas no meio do milheiral. No regresso, apanharam a mãe de Aurora num estado de desespero, que ao vê-los chegar são e salvos, nem bem se inquietou com sermões ou outros que tais, que a sua única ralação, era o estado de saúde dos dois, que se tinham sumido sem deixar rasto. Mal ela sabia que o estado, era já, naquele exacto momento, não de dois, mas sim de três, e que a sua ralação momentânea, nada constituía perante a outra, muito maior, que por aí vinha. Passou o tempo, e Aurora estanhou a ausência do sangue que lhe escorria da boca do corpo todos os meses, nem bem sabia, o que poderia estar a ocorrer-lhe, um sério problema de saúde, poderia ser. Para além disso, estava gorda e engrandecida, parecia até que agora, deitava um novo corpo até então adormecido, e lhe cresciam determinadas partes a contragosto, quase como se tivessem vontades próprias, nunca houvera visto nada assim, a emanar-se de dentro das suas entranhas. Os sutiãs que sua mãe lhe costurava, deixavam-lhe de fora parte considerável de carnes, coisa essa que a incomodava de sobremaneira, que faria ela, para esconder tal pecado? Em estado de desespero, perante um novo corpo que nem era seu, e que agora a sacudia por dentro, tal e qual como se um mafarrico ensandecido nela se tivesse aninhado, procurou ajuda em sua avó, uma velha senhora, que de imediato percebeu o que acontecia à sua neta. A coisa foi composta o melhor que se podia, as reuniões familiares deram-se no maior dos segredos, e o casamento ia dar-se depressa, se o moço bem-parecido, perante tal imposição, e quase na hora do enlace, tivesse aguentado o embate, coisa essa que não se verificou, pelo que deixou a pobre da Aurora num abandono sem igual. Desse dia em diante, nunca mais homem algum lhe deu mão, que era moça já de segunda, que nem sequer se tinha sabido guardar devidamente, ia-se a ver, e se algum interessado lhe deitasse o olho, quem sabe incorreria em algum risco considerável de ela vir a cometer nova desvirtude, ainda antes de chegar ao casamento, sabe-se lá com quem.

2 comentários:

Deixar um sorriso...

Seguidores