quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Breivik

A inimputabilidade é um assunto que se assume sempre como delicado. E digo isto porque decorre por norma na sequência de determinados factores, que tratam desde um julgamento por um crime, ao avaliar se houve ou se não houve esse mesmo crime, ao se foi efectivamente aquela pessoa a cometê-lo, e, posteriormente, ao porquê de o ter cometido. Penso muitas vezes no exacto limite que coloca alguém dentro da protecção da inimputabilidade, sendo que de um lado encontramos um criminoso, e do outro um louco, exactamente com o mesmo crime cometido. Não quero com isto dizer, que não considero a existência de pessoas perturbadas ao ponto de serem detentoras de mentes de tal forma doentes, que dificilmente as poderemos julgar capazes de agir em consciência, e de responderem por isso. Existem, claro, muitas. Mas até que ponto, e permitam-me a fraca analogia, aqui acudida por um exemplo mais banal, poderemos considerar consciente, uma pessoa que exerceu um qualquer crime de homicídio? Não haverão sempre razões consideráveis, que tranformaram aquele ser, em alguém capaz de matar outro? Não carecerá também de organização e apoio, para um efectivo ultrapassar de um problema, que o pode tornar potencialmente perigoso? Porque quem mata, pode voltar a matar. Terrenos diferentes na gravidade, é certo, mas passíveis de análise séria. Não tenho dúvidas de que Anders Bhring Breivik, tenha tido no seu crescimento ocorrências diversas, potenciadoras de um desenvolvimento psíquico na linha esquizóide ou psicopática, sendo que deixo as duas, por desconhecer a verdadeira linha de inclusão. É um fruto, tal como todos nós o somos, os melhores e os menos bons, os organizados e os desorganizados, os capazes e os incapazes. Mas não deixa de ter cometido sérios erros, que o tornam potencialmente perigoso.

Sem deixar pareceres definitivos, opiniões excessivas, soluções ou outras, que de resto, nem a mim me cabem, deixo questões, por me parecerem pertinentes, e dignas de reflexão. Não deveriam os criminosos, fossem eles psicóticos, esquizóides, ou outras estruturas, receber um apoio efectivo que os contivesse, e lhes permitisse reabilitar, uma vez que provavelmente, de novo sairão em liberdade? Não vos parece, em todas as vertentes, que uma mente criminosa é sempre, mas sempre, uma mente doente? Haverá alguém em estado de equilíbrio, que inflija sofrimento para seu belo prazer?

Quanto ao facto de existirem determinadas patologias mais graves do que outras, a merecerem, obviamente, mais investimento, concordo. Mas esta linha frágil, que separa o culpado e o transforma numa vítima é, para mim, demasiado subtil. Até porque, para chegar a estes estados de culpa, também no seu caminho deve ter tido estado de vítima, sendo que ambas se misturaram ao infinito, motivo pelo qual utilizo delicadeza ao abordar o assunto.

Mas agora, isso já nem importa. Não se pode apagar o que viveu, nunca se pode fazer isso, sendo que somos detentores de passados nossos e intransmissíveis, capazes de nos terem feito mais ou menos Gente. Não podemos portanto deixar de ter entre nós um monstro alienado, seja ele louco, ou seja qualquer outra coisa que lhe queiram chamar. Podemos por ora proteger a envolta e tentar conter o praticante.

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