sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Lideranças

Penso ser digno de reflexão o que se viveu na Coreia do Norte. A morte de Kim Jong-il, trouxe ao de cima uma histeria colectiva inigualável, que nos dá informações preciosas acerca do funcionamento do ser humano. Surgem questões inerentes. O que fará a população em massa chorar desesperadamente um líder opressor? O que se eleva nestas mentes controladas, perante a perca de um dos responsáveis por um existir castrado e diminuído? O que faz crescer dentro de um povo uma devoção sem limites, a líderes do género? Representará, tal como foi levantado, uma encenação, executada também ela por medo de alguma represália? Não havendo conclusões sólidas, pois trata fenómenos culturais dos quais estamos ausentes, e logo limitados para uma análise efectiva, poderemos no entanto debruçar-nos sobre estas e outras questões importantes, que nos ajudam a perceber o Homem. A mim, e encarando com a devida cautela este meu entender, parece-me honestamente que as manifestações de tristeza nem sequer são encenadas. Tratarão por certo um verdadeiro pesar, sendo que não é pouco frequente, e encarando um carácter mais simples, num seio familiar por exemplo, o oprimido ganhar verdadeira admiração ao opressor, que encara com um respeito supremo, como se de lá apenas viesse protecção, por demais urgente para mentes mais fracas. Não é a primeira vez que encontramos este tipo de mente alienada, pelo que poderemos por exemplo pegar, embora em outra dimensão, no líder Cubano Fidel Castro, que representava para a sua população um exemplo a seguir, uma figura a idolatrar, embora o regime apontasse para a ditadura. Ele era o Líder da Revolução.
O que isto revela sobre nós, em termos de evolução e crescimento, é o que todos sabemos, mas que por vezes esquecemos. Somos um produto construído e moldado à envolta, à sociedade, às interacções dialógicas. Vamos, na maioria das vezes, até onde nos deixam ir, ficando em caminhos fechados a meio, quando não nos permitem espaço para mais avanços. Habituamo-nos a viver cercados, se não conhecemos o exterior, e damos graças verdadeiras a quem assim nos trata e supostamente protege. Um fenómeno sociológico, que nos ajuda a entender muitas outras submissões. O facto de por vezes se exercerem actos de violência e de violação de direitos, parece aqui perder significado, e honestamente, é exactamente o ponto que menos percebo. Ainda assim, e encarando que em grandes alheamentos de espírito, a debilidade toma-nos conta da alma, depressa concluo que o que se pensa, muitas das vezes, será que os castigos e punições são merecidos, porque somos indignos, e não conseguimos chegar à perfeição dos Senhores.
Assusta sermos assim.

3 comentários:

  1. O povo vive oprimido há cerca de 60 anos pelo que já poucos existem que conheçam outra realidade, são instruídos desde que nascem a venerar aquela figura, sabe que não demonstrar essa veneração e "respeito" acarreta punição. É complicado julgar o comportamento dos que vivem num sistema daqueles sem conhecimento de outras realidades, convencidos de que o seu líder é o melhor que podem ter...

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  2. Podem não ser encenadas mas eles sabem que têm que o fazer, disso não tenho dúvidas. Como diz a Cat, não venerar e não respeitar trará punição - isto é-lhes certamente incutido desde sempre. Assustador, e mais, bastante triste de assistir. E não pela morte, mas pelo servilismo acéfalo em que caiu aquela gente...
    Gostei de ver uma mulher a pegar - e tão bem - neste tema. Muito bom, CF :)

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