segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

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Os trilhos seguidos são estranhos. Nunca os entendi, se calhar porque também não fiz esforço para isso. Ele era lindo, e de um charme inconfundível. Cresceu, no meio de muito sofrimento, próprio da época. E próprio, essencialmente, das famílias onde o álcool estava presente. Vivia-se assim, por ali.
Ao Domingo, comia-se carne, logo após o patriarca fazer a melhor escolha. Ao de semana, comia-se sopa de feijão, ou uma sardinha, que gerava luta entre irmãos. A mãe, a grande mãe, trabalhava de sol a sol. Dava o que podia, que não era muito. O amor era escasso, por falta de tempo, e disputado. A violência, essa, estava sempre à espreita do outro lado. Debaixo dos olhos que me amaram tanto, que nunca ma deixaram ver. Tive sorte, eu.
Existências de alguma forma tristes, que deram origem a alguém de valores trocados, objectivos indefinidos, caminhos errados. Muito errados, e acompanhados de perto por muitas injustiças cometidas. Já o condenei. Já me revoltei, em alturas diversas. Raramente, ou poucas vezes lhe tentei chegar, tais as marcas que me deixou.
Ontem oiço-a dizer que está triste. Porque ele está longe e infeliz. Eu, na minha altivez, reclamo, e remato que as escolhas foram feitas por quem de direito. Ela dá-me alguma razão, mas diz-me, de voz trémula, que foi ela que o ensinou a andar.
Julgo ser esta, uma das facetas dos perdões. Entendi-a. E no fundo, no fundo, estou com ele. Porque a vida, ás vezes é um bocado p... E tristes dos que não conseguem ser mais do que ela.

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