domingo, 3 de janeiro de 2010

Vontades

Esta coisa de esperar dos outros algo mais do que o que eles nos conseguem, ou nos querem dar, não é bom. Descubro, que o mundo gira assim. Temos expectativas, planos, projectos. Queremos alguém ao nosso lado, que esta porra da solidão é muito gira, mas é o caraças. Olhamos em volta, catrapiscamos o que mais nos convém ( ou o que aparece, enfim, que isto está em crise), e vá de moldar, assim, tipo plasticina. Comecemos. Eu gosto de Soufflé de bacalhau, tu também tens de gostar. Eu gosto do Restaurante da Tia Francisca, onde se come para lá de bem, tu tens de vir comigo. Eu jogo Xadrês, tu também tens de jogar. Eu oiço Delfins, e o melhor mesmo é recitares o reportório de trás para a frente, e vice versa. Eu leio as crónicas do Nuno Markl, e tu também tens de ler. Eu sou do PS, logo tens de te filiar ( ok, esta é baixa). Eu durmo com um pijama da Hello Kitti ( se eu pudesse, já tinha dado cabo desta gata), e os teus boxers têm de condizer. Pronto, está bem, estou a caricaturar. A exagerar, enfim. Mas no fundo, e retirando a excentricidade que dei ao assunto, é quase assim. O respeito pelo outro é uma coisita digamos que difícil. E não falo somente de relações a dois, mas de uma forma geral. Não entendo muito bem esta necessidade de impor vontades e vocações. Como se todos no mundo devessem gostar de amarelo. Como se todos no mundo devessem ouvir Trio Odemira. Como se todos no mundo devessem gostar de café de saco. E engraçado, como os que teimam em fugir à regra, são crucificados, excomungados, banidos. Por coisas simples, pessoais, e individuais, como gostar de pessoas do mesmo sexo. Ou, mais simples ainda, por gostarem de andar na rua à chuva, quando tudo está em casa arrecadado. É maluco, dizem. Malucos, são os que assim o acham. Fala-se de liberdade, mas sinto-me tão, mas tão longe da dita, que quase me mete aflição. Remédios, rápidos e eficazes, não tenho. Mas pertenço à classe dos que lhe dão valor, dos que respeitam, e dos que fazem tudo, ou quase tudo, o que lhe apetece. E o quase tudo vem, das condicionantes práticas inerentes à vida. Não da condicionante de nome, vontade de outro, ou ainda língua alheia. A isso, sou imune. Não quero com isto dizer que não ceda, qb. Obviamente que há um equilíbrio de cedências necessárias à vida em sociedade. Mas é um equilíbrio. Quem comigo convive, por vezes não me entende. Não me importo lá muito com isso. Não sou nenhuma ovelha para ter de ir no rebanho. Até posso ir. Tem é de me apetecer.

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