terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Da adopção...

Ontem, fiz questão de ver a reportagem sobre adopção. É um assunto trémulo e delicado em todos os níveis. Das questões burocráticas, recuso-me a falar. Relativamente ás outras, deixo umas considerações. É um tema sobre o qual se fala, se discute, mas acho difícil ter a real noção do que passa. Eu própria, que falo agora, não tenho, dada a complexidade do mesmo. Fiquei tocada, com um casal Francês, que adoptou uma criança com um atraso mental. Que dizia que, quando pensou adoptar uma criança, era uma criança. Qualquer criança, que lhe fosse atribuída. E não uma escolhida por eles, de olhos de uma cor, cabelos de outra, e por aí fora. No fundo, como se de uma verdadeira gravidez se tratasse.
Quando penso, se seria capaz de adoptar uma criança, não penso em pequenos pormenores. Conseguiria, perfeitamente, adoptar uma criança de outra raça, de outra cor, o que fosse. Mas travo, travo mesmo, quando penso em deficiências. Julgo ser necessário um estadio de desenvolvimento muito avançado, para conseguir ultrapassar uma situação destas. Aquele casal já lá está, e merece um louvor por isso. Eu não estou, mas espero lá chegar um dia. E eu, sou um dos tais pormenores. Pior, é que a sociedade não está. Nem de perto, nem de longe. A sociedade fala, diz palavras bonitas, e coisas que se querem ouvir, mas recua, tem medo, foge. E foge, muitas vezes, não só de situações mais complexas, como a deficiência, como também de outras, simples, por prisões a racismos patéticos. E é este, um dos grandes problemas da adopção, a par e passo com as burocracias.
É necessário evoluir, e caminhar no sentido da humanização, para conseguir uma justiça humana mais presente, mais digna. São problemas sociais de fundo, e é bom que reconheçamos, que começam em nós, para um caminho de resolução. Mais sérios, são os reais, que não admitimos. Esses sim, são os travões do Mundo. Mas esses, esses são cobardia. Eu, não gosto lá muito dela.

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