segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Incoerências

Existem noites daquelas estranhas. Em que o sono aparece, para depois se sumir, como se não fizesse falta nenhuma. E não faz, de facto. Na hora em que me aninho no sofá, e pego no comando da televisão ( que lá em casa é muito meu), e faço o zapping que me apetece. Ontem, descubro a Jura. Novela tipicamente Portuguesa, com um elenco aceitável, e com uma história de relações, do melhor que há. Segui-a em tempos, sem lhe entender a fundo a essência. Agora, percebo-a ao pormenor. Há coisas que temos de ver, ou fazer, pelo menos duas vezes, para as encaixarmos. No meio de histórias de Homens e Mulheres, descubro as sozinhas, que gostam de o ser, as solitárias que detestam sê-lo, as acompanhadas, que no fundo, estão sozinhas, e as que não sabem muito bem se querem estar sozinhas ou não. Todas, devidamente acompanhadas da respectiva crise existencial.
O sexo masculino, como sempre, joga em casa. Sozinhos ou acompanhados, não importa. Alguns, dão-se ao luxo de várias companhias. Para que monotonia neste Mundo de obrigações? Invejo a simplicidade dos Homens. Não há dúvidas, de que possuem uma capacidade de adaptação muito superior à nossa. Para eles, tudo é simples. E nós, ou não fôramos Mulheres, invejamos-lhe esta capacidade até à exaustão. Por isso os criticamos tanto, claro.
Entretanto adormeço a tentar encaixar-me ali. Não entro muito bem em nenhuma das opções, mas quase. Descobri outro dia, quando uma amiga me perguntou, e agora, se ele quisesse? Fingi-me de parva, mas ela topou-me logo, a malvada.
Agora, na manha de chuva, irrito-me à brava. O sono de ontem faz-me falta agora, o bandido. Ainda um dia hei-de conseguir controlar estas coisas. Do sono, dos tempos, e da incoerência dos meus sentimentos.

2 comentários:

  1. Também eu não sei bem onde encaixaria... recem-sozinha, seguramente não o detesto, às vezes dou por mim só, mas bem pior a solidão acompanhada... não gosto da solidão, mas quando acompanhada atrofia, rouba-nos a luz como um quarto de janelas e portas fechadas. Agora estou sozinha, com uma pequenina mão abraçada à minha, mas de janelas abertas por onde entra a luz e faz, por vezes acreditar, que essa luz pode trazer outra vida, outra vida onde não me sinta fechada e irremediavelmente só.

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