sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Olhares

A minha avó já dizia que quanto mais alta a subida, maior a queda. Quem me lê, já sabe que me valho amiúde dos seus nobres saberes. Eram, saberes de anos, aqueles. De anos e de sofrimento, que digam lá o que disserem, mas para mim, são os que melhor se aprendem, pela força que acartam. A minha maneira de estar na vida, leva-me a ter posturas que ás vezes me questionam. A mim mesma, pois, que para vergonha da minha existência, nem a mim me entendo. Quando me atingem a frio, reajo. Ás vezes brusca, atravessada, como dizem alguns. Mas o rancor não entra cá em mim. Ou se entra, perde poder, e arruma-se, ou algo do género. Pelo menos com o tempo. Sim, eu sei que o tempo cura, e assim, mas julgo que seria suposto, algumas marcas ficaram cravadas no corpo. Assim, como fica nos cavalos, quando se chapa a ferro quente. Eu sou em tudo diferente. Não me esqueço das coisas, não me volto a dar, mas consigo olhar para as pessoas com olhos de pena. Não que isso seja uma qualidade, ou uma mais valia. Até porque os olhos de pena são algo que me causam desprimor. Algo que dispensava sentir. Mas sinto. Ponho para trás o acre do orgulho, e olho para a Pessoa. Como ser, como miséria, como o que for. Mas voltando ás quedas, há quem já tenha estado alto. E quando se está alto, é fácil olhar de cima. Não é sensato, é um facto, mas é fácil. Diria mesmo que tentador. Depois, quando se cai, se se chegar a cair, claro, o olhar muda. Impressionante, como a mudança é profunda. Acho que é esse olhar, que já me olhou de cima, para agora me olhar de baixo que me incomoda e me faz sentir a tal da pena. Isso, e o facto de não perceberem que os olhares, deveriam ter todos a mesma altura. Sempre.

3 comentários:

  1. Não te quero plagiar como é óbvio, mas subscrevo tudo o que dizes e como dizes...
    BFS

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  2. Para a altura não ser um problema, leve contigo sempre um banquinho.:):):):):)

    B-jão!!!

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