quinta-feira, 9 de junho de 2011

1º Congresso

Vai ser em Abril de 2012, e eu, acho que o merecemos muito. Sou suspeita, bem sei, mas ainda assim, acho. A quem está de fora, percebo a incompreensão que reina por vezes sobre o nosso trabalho. Não receitamos fármacos, não fazemos milagres, não somos rápidos. Esta, da lentidão, é um sério problema. Quem nos procura em estado frágil, julga que o nosso efeito é imediato, julga ainda, muitas das vezes, que o caminho é só nosso. Não é. Estabelecemos relações terapêuticas, evoluímos em conjunto. Damos muito de nós, e com grande empenho, não duvidem. O nosso maior prazer, é chegar a um final de um processo terapêutico, e dar uma alta, conscientes de que a pessoa que se encontra à nossa frente, é, naquela data, uma pessoa saudável e segura o suficiente para prosseguir. A nossa angústia, que a julgo, em particular, muito minha, é a visão, ainda distorcida, que fazem de nós, atribuindo-nos um estatuto pouco credível, pouco rigoroso, apenas e só porque trabalhamos com o interior, terreno que todos temos, mas que ninguém vê de forma evidente. Esse toque, esse sentir que não se palpa, deixa nas gentes ainda descrentes, um sentimento de vazio, uma ausência de suporte, que faz com que nos questionem. Precisa, muitas das vezes, de um contacto real com a nossa profissão, por uma qualquer dificuldade, para nos perceber e considerar. Ou então, nem assim. Oiço amiúde, discursos cheios de boas intenções, quase reveladores de aceitação, que vai-se a ver, e não passam de mera conversa circunstancial. Existem ainda os que nos precisam, nos crêem, mas que por ausência de meios, não nos conseguem chegar, pelo que são entregues aos Médicos de Família, ou às Equipas de Psiquiatria dos Hospitais Distritais, que são uma mais valia, claro, mas que podem não ser suficientes, ou até, indicadas. Aqui, é uma culpa directamente imputável ao sistema, que também não nos reconhece como necessários. Os próprios seguros de saúde, excluem-nos, muitas das vezes, das suas escalas de comparticipações.

Devido a tudo isto, é com enorme satisfação que vejo que actualmente, temos uma Ordem que nos defende, que nos regulamenta, que nos orienta, e também, que nos exige eficiência. Trabalhar em mentes alheias, é de uma responsabilidade imensurável, que os erros cometidos, podem ter efeitos nefastos, tal e qual um qualquer outro erro, cometido por um qualquer outro profissional de saúde. Só não se vê tanto, também aqui.

A existência e a evolução de uma Ordem, que possa proteger, mas também requerer, a quem com gente trabalha, parece-me pois uma mais valia, que só pecou por tardia. Em Abril de 2012, lá estarei.

1 comentário:

  1. :):) Desde pequena que sei que tudo o que se faz depressa não tem resultados duradouros :):)
    Bom congresso.

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