sábado, 25 de junho de 2011

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A reflexão de ontem incidiu na sociedade. Arrepia-me falar dela, mas falo que me farto. Não que não aprecie os meandros, o desenvolvimento, o como cresce e recua. É um caminho abrangente, mas perturba-me os trajectos que escolhe. Que escolhemos, todos ou quase. Munimos-nos de ambições, crescentes, para os crescimentos exteriores. Para o que se vê, o que se mostra, o que se transparece. Recua-se, cada vez mais, no que se ganha interiormente, no que se constrói em ser, no que se procura em valores. Valores? Procuro-os, amiúde, e cada vez menos os encontro. Quando os detecto, surgem-me tímidos, medrosos, assustados. Fora de sítio, como se nem pertencessem a nós, e estivessem ali encolhidos e apertados pelo resto. Que caminhos procuramos? Que respeito apresentamos, a quem nos damos? Perguntas vazias em respostas concretas, que julgo que poucos sabemos. Os que procuram crescer depressa, os que se encostam na esperança que tudo lhes caia do céu, os que julgam que gente se cria com dádivas, mas sem tempo e afecto. Vejo-os tanto, a cada esquina. As relações nem se sentem, sentem-se muito mais os interesses, os próprios umbigos, as pessoas que se julgam grandes, como se tudo já tivessem feito, e nada mais houvesse a procurar. Os jovens que trilham caminhos incertos, próprios da idade, mas que teimam em segui-los vida fora, porque o esforço, é coisa de outrora, digno de avós, ou de pais, vá. Hoje não encontro deveres, encontro direitos. E uma dificuldade tremenda para uma motivação contrária, por demais urgente. Serei eu que me preocupo em demasia? Serei eu que encontro na envolta mentes vazias do que importa, e cheias de nadas superficiais, que nos mantém numa tona frágil, e de imediato sucumbida perante uma adversidade mais forte? Será que as estruturas sérias e coesas se tornaram numa vergonha, e o correcto é o seguimento leve e vazio, isento de responsabilidades verdadeiras? Será que a felicidade conseguida, não se torna efémera para todas esta gente, que ao invés de lutar se acomoda? Conseguiremos, neste caminho, encontrar essência suficiente para uma existência plena? Ou ficaremos à mercê da mesquinhez, que cada vez mais mais nos apanha, e nos molda os passos e os caminhos? As soluções claras, como sempre, não chegam. Ficam as questões, que deveriam povoar as mentes, e inquietar quem por cá anda. Inquietude. Talvez seja esta, uma das coisas que tanto nos falta.

3 comentários:

  1. Talvez faça parte do percurso :) Já houve tempos em que os valores nos tolheram os movimentos; em que tudo o que era nosso e natural, era vergonha. Talvez este exagero de ausência seja aquele exagero da revolução. Estas coisas levam séculos a processar e nós vivemos tão pouco que, ou sabemos de História, ou vivemos ilusões... :):):)

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  2. E sendo cada vez menos, nós próprios, os que ainda vemos o que a maioria não vê, acabamos por calar, por adiar, por baixar os braços.
    Vivo nesse mesmo plano que tu. No plano das perguntas, das incertezas, de uma certa incredulidade de não sermos capazes de aproveitar o que temos, o que somos.
    Podíamos ser tanto mais, mas valorizamos a mentira, a dissimulação, a ignorância.
    Entristece-me e fecho-me e acabo assim por contribuir para este reinado que me parece cada vez mais duradouro.
    Pergunto-te, há solução? O que fazer para lutar, se as pessoas simplesmente não vêm que não vêm?

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  3. São ciclos, bem sei. Viemos num. Talvez fossemos precisos por cá :):)

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