domingo, 12 de junho de 2011

Parece Brasileira você...

Acompanhei-a desde cedo, que a vida, tinha-lhe sido injusta, não lhe deixando a propensão para levar avante uma barriga, daquelas com gente dentro. Ainda se encetou umas tantas, chegando uma, a durar cerca de três meses, mais coisa menos coisa. Mas três meses não chegava para gerar gente feita, e num dia de chuva, uma dor forte e robusta assaltou-lhe o costado, deixando-a vergada sobre si mesma, enquanto lhe escorria sangue pelas pernas, entre outros estranhos e mornos sobejos. Nem precisava de confirmação medical, para atestar o que se tinha passado, mas ainda assim sua mãe, insistiu em levá-la ao serviço de saúde, a fim de uma efectiva confirmação. Poderia ainda, porventura, carecer de algum tratamento ou medicamento, eventualmente necessário em tal situação. Não fosse ficar seca de vez. Veio de lá sozinha de novo, que antes disso, já se tinha habituado à companhia de um pequeno ser, muito minúsculo e apagado, mas muito presente, porque era seu. A insistência foi-lhe abandonando o corpo, discretamente, devagarinho. O pobre, mais não fazia, do que alternar estados amiúde, ora sozinho, ora não, sem nunca ficar devidamente acompanhado, daquela companhia que se sente a sério, que estrebucha cá dentro, e que acalma ao som das vozes. Ou da música, os dos afagos. Eu era vizinha e pequena. Passeávamos tardes a fio, enquanto ela me contava histórias de encantar. Tinha ainda a arte nas mãos, que delas nasciam obras primas de elevadíssima qualidade, fossem pinturas ou outros trabalhos, que lhe entretinham o tempo, e lhe enchiam a vida. Um dia, ia-mos a casa da minha bisa. Ela tinha violetas no quintal, as quais gostávamos de apanhar, para secar nas páginas dos livros, que assim, deitariam um cheiro forte e muito doce. Após o processo, eram utilizadas para colagens diversas, em telas ou outros materiais, onde nasciam jardins de natureza morta, mas colorida. A meio da caminhada, passa um carro pequeno e velho, com dois Homens lá dentro. Eram brasileiros, e dizem-lhe, perante uma mini saia de cortar o ar, Parece Brasileira você...

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