quarta-feira, 1 de junho de 2011

Crianças

Passamos por lá uns anos, haverão coisas, que deveríamos guardar para sempre. Moldam-se, toldam-se, circunscrevem-se, como se no mundo, a particularidade fosse um alvo que se abate cedo, não vá fazer-se demasiado tarde, e as brincadeiras se prolonguem além desejo. E o desejo é que aos meses se palre, ao ano se caminhe, aos dois se exerça controlo no corpo, aos três se entre na sociedade alargada, aos seis na escola, e por aí adiante, tudo feito de forma limpa e clara. Entre chupas, doces e brincadeiras, percebe-se um mundo envolvente que, muitas das vezes, escapa a estes confortos para entrar em caminhos distantes, daqueles que nem os adultos merecem. Ele pega no estetoscópio e ouve-se. Escutas-me?, pergunta-me. Escuto, claro que sim. Olha-me sério. Então vamos arrumar, que não quero muito escutar-me. Porque existem diversos mundos infantis, e muitos deles, atingem um sítio cedo demais. Não deveriam. Sítios, para além de confortos e portos seguros, são locais que não deveriam existir na cabeça das nossas crianças, que devem vaguear em fantasias, para crescerem sem medo, num intercâmbio desejável e urgente. Não lhes cabe determinados desígnios, que lhes impingem levianamente, quase julgando, que em suas cabeças poderão nascer organizações que faltam na envolta, como se neles, existisse o papel invertido da esperança. Diz-se serem eles, mas deveríamos sempre, ser nós a dar-lha. Hoje eram muitos aos saltos, incluindo o meu. Nem sei o que ia naquelas cabecinhas coloridas, despenteadas, minadas de sonhos, nuns corpos pequenos que vestiam t-shirts pintadas com rabiscos felizes. Gostaria que fosse, acima de tudo, isso, sonhos. Há quem diga, e bem, que comandam a vida. A minha, com certeza, ai de mim que assim não fosse. A dele, tenho por certo, e luto todos os dias para que assim seja, sempre. A de todos, desejo-o. Com muita força. E que na essência, não se crescesse nunca, se não em tudo, ao menos em muito.

1 comentário:

  1. Olá CF concordo e subscrevo. Há certos aspectos em nós que deveriam ser mantidos na infância. Talvez fossemos todos mais felizes.
    Bj
    Maria

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