quinta-feira, 12 de abril de 2012

...

Passeia-se ali no jardim, levando com o vento nos olhos. Abanica, reza de mãos viradas ao alto, e sorve o ar de boca aberta, alimentando o corpo definhado que incha como um balão, não por debaixo da pele, mas por debaixo da roupa. Está feliz, consigo perceber isso. Dizem por aqui que é louco, mas eu não partilho da ideia. Tem uma vida própria, um interior estranho, que não tem de ser loucura. Loucura é uma desadaptação do mundo ao próprio, ou então o inverso. Para quando existem estas sintonias com o redor, que nele encontro agora como em tantas outras vezes, deveríamos arranjar outro nome que apelidasse a diferença. Não que seja propriamente preciso, mas é comum baptizarmos as coisas, precisamos disso, faz-nos uma falta indefinível.


1 comentário:

  1. Penso nisso tantas vezes! Na facilidade com que classificamos, arrumamos, nomeamos...e na legitimidade e propósito de o fazer :)

    ResponderEliminar

Deixar um sorriso...

Seguidores