terça-feira, 13 de outubro de 2009

Do início...

O período de reflexão teve inicio conturbado. Como de resto, só podia. Os inícios, seja do que for, são sempre intensos. Deve ser por isso que gosto tanto de começar coisas. Debruço-me essencialmente sobre profissões, e, ironicamente, encontro-me ainda agora com uma antiga Patroa. Com o seu ar característico de matrafona inchada. Não obstante ter-me feito a vida num inferno quando trabalhei com ela, ao ponto de saltar fora sem ter para onde, entendo-me com ela na perfeição. Quando se fala de igual para igual e não de superior para subordinado. A minha recusa à situação, depois de analisada com afinco, traz-me conclusões interessantes.
É de louvar, como em pleno séc. XXI, uma Mulher consegue monopolizar massas, como a Dona F. E quando falo em monopolizar, não falo em controlar minimamente. Falo em Feudalismo, na mais pura essência, onde a vassalagem se assume em toda a sua grandeza. Onde a vénia e o aval se prestam e se pedem. Nunca vi beija mão, mas acredito que exista. De filhos, noras, e público em geral. Sim minha mãe, sim minha sogra.....Tem poder. Na verdadeira acepção da palavra. Começando no seu aspecto, espaçoso e majestoso, passando para a manipulação de quem a rodeia. Ás vezes penso se estas posições, não têm também a ver com isso mesmo. O aspecto austero e imponente. Que por si só não chega, mas que aliado a uma personalidade intensa e autoritária dão resultados tamanhos. Embora também não ambicione, rápido concluo que nunca lhe chegaria aos calcanhares. Tenho uma aparência demasiado frágil, e uma figura que passa despercebida. Nada poderosa, portanto. Nada a ver com a das grandes matriarcas. Como a Dona F.
Seria impossível trabalhar com ela. Não sirvo para prestar vassalagem. Penso, penso, e ainda não descobri se é defeito ou qualidade. Se pegar na minha consciência, é qualidade. Se pegar nos objectivos que atinjo, ou não, é defeito. A perspectiva, essa malvada cerca-me de todas as frentes.
Mas no fundo, e não obstante as incompatibilidades fervorosas entre mim e ela, admiro-a. Talvez não pelos métodos que utiliza, mas pelos objectivos que consegue. Se tivesse nascido noutros tempos, figuraria decerto os nossos livros de História de Portugal do 6º ano, na secção de Mulheres poderosas. Ao lado de uma Padeira de Aljubarrota, ou assim. Eu, seria decerto das ilustres desconhecidas que ardiam na fogueira por desordem e afins.

2 comentários:

  1. Meu Deus!!! Como entendo o que acabei de ler!
    Infelizmente!
    :))

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  2. Ou seja, uma Joana d'Arc, de segunda. :)
    Por outro lado - por trás de uma grande mulher existe sempre uma Grande Mulher.

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