quinta-feira, 15 de julho de 2010

Da fuga

O excerto abaixo deixou-me feliz, como vão deixando algumas poucas coisas, quando pego o jornal. Tenho fases, que não muitas, em que me farto de os ler. Todos, sem excepção. Porque encontro a crise sem fim que nos inunda os dias. Porque encaro o aumento de impostos, o congelamento dos salários, o endividamento consequente. Porque os jornais de papel e os televisivos tratam do estado do Mundo e do País e o estado do Mundo e do País estão menos bem, e o bom que existe, porque existe, quase se abafa nos meandros das tormentas relatadas e na grande desgraça que nos assola, vinda daqui e dali. Na leitura, que sem ânimo vou fazendo, dou por mim na procura, quase inglória de um episódio que me anime. Que me faça acreditar que o Mundo ainda é habitável, e que mais existe para além da crise e afins. Nem costumo falar cá nela, que a evito ao máximo, não me faz falta. Encontro no dia a dia gente que quase vibra ao sabe-la, que a digere com sofreguidão, porque da desgraça, fala-se sempre com emoção, coisa estranha esta. Mantendo o esclarecimento que considero necessário, fujo-lhe sempre que posso. Evito pensar quando compro, que o IVA subiu, e que o meu salário não. Olho-a assim, meio de esguelha, com respeito, mas com distância, e espero manter a postura, sem me assolarem os laivos de loucura que por aí vejo. Mantenho outras relações assim, meio ao longe e meio ao perto, numa distância necessária e eficaz. Equilíbrios, diria, que não tendo todos, consigo alguns.

2 comentários:

  1. Realmente, é de louvar. A mim roubaram-me uma camisolinha (ranhosa, baratinha, da Stradivarius, mas acabada de estrear) num 4 estrelas de Bruges - há de tudo em todo o lado!

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  2. O problema é que cada vez são mais raros estes casos. Raríssimos, diria eu.

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