domingo, 25 de julho de 2010

Dualidades

Estas histórias de vida intrigam-me ainda que hajam muitas, e por vezes, até bem perto. O que me confunde, nem será bem a causa, mais ou menos nobre, nem importa, têm uma causa e pronto. O que me confunde à séria é a adaptabilidade mental de quem vive duas vidas, grande feito, que eu, pela parte que me toca, ocupo-me bem que chegue apenas e só com uma, chegando por vezes a pedir sossego. Na revista Index desta semana, encontro uma história do género que trata a vida de uma Mulher "normal", que afinal tem particularidades que muito poucos conhecem. Onde se intercala o papel de mãe, e se finge uma profissão para os que a circundam, que nem sequer existe, com o papel de prostituta, que exerce com uma ambição desmedida por um poder económico sonhado, pelo qual é capaz de viver duas realidades, satisfazer muitas existências e muitas vontades. Que estranha forma de vida esta, que muito mais me intriga do que as que vivem apenas e só do sexo, porque precisam, porque querem, ou porque gostam. O que me incomoda, se é que tenho o direito ao incómodo sobre a vida alheia, não é o que se faz, que resto, a história reza assim, mas existem muitas outras sobre outros motes, que igualmente me intrigam. É a dualidade, o fingimento, o agora vivo assim, e logo vivo de outra forma. O agora sou esta, para logo ser aquela. Nem sei bem o que daí decorre, que em termos mentais o poder é quase infinito, e poderá ser, que a adaptação a duas vidas seja mais fácil do que julgo, que ignorante me assumo nos assuntos da mente, nada mais me resta, perante tal complexidade. Ainda assim, não me ocorre a possibilidade de alguma coerência interna, numa vida onde o que agora se diz e se faz, dentro a pouco se assuma mentira. No beneficio da incerteza, nem sei se lhes louvo a capacidade de adaptação a roçar o infinito, se lhes lamento o desassossego constante de quem vive duas vezes dentro de um mesmo corpo. E fico assim, no incerto.

2 comentários:

  1. Nós somos múltiplos. Todos. O Pessoa que o diga...
    Uns mais do que outros, todos temos muita gente a viver por cá, dentro de cada um. Ser mãe é diferente de ser mulher ou amiga, ou profissional seja do que for. Os actores exploram essa realidade e, consciencializando-a, assumem-na e controlam-na mais e melhor do que os outros. Essa senhora tem veia artística, com certeza :):):)

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  2. Cara Antígona, por certo, terás razão. Ainda assim, a clivagem tão profunda, com realidades tão diferentes, transcende-me, confesso. Pela necessidade de preservar os mundos um do outro, talvez também por isso.

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