segunda-feira, 19 de julho de 2010

Ingratidões

Ontem na praia que fiz a meio da tarde, entre ventos e turbas de gente, vejo um cão abandonado. Um pequeno cão branco que corria sem destino no meio dos veraneantes, que o iam sacudindo, ou fazendo uma festa, depende. De um lado e de outro surgem comentários a respeito do fenómeno, incluindo os tradicionais coitadinho, tão lindo e abandonado, que sempre me confundiu, como se só os lindos fossem dignos de pena. Percebia-se claramente pelo desnorteio, que era cão de casa, perdido há pouco. Apresentava algum desmazelo, dado ser de pêlo branco, entretanto já encardido e despenteado. Intriga-me quem abandona animais, embora saiba ser frequente, e assunto já mais do que rebatido. Não se adquire um animal porque tem de ser, adquire-se por vontade própria, e todos sabemos que nos dão trabalho, e nos exigem tempo e paciência, logo, se não temos, não devemos assumi-los, parece-me simples. O cão lá da casa é o menino dos meus olhos. Um bicho branco e pequeno, de personalidade um tanto ou quanto travessa. Veio para junto de nós, na gravidez do meu pequeno, e mal ele nasceu, guardava-o com um afinco fenomenal, passando horas ao lado do berço. Abana o rabo quando chegamos, deprime se alguém se ausenta por tempo maior, e percebe imediatamente se estou menos bem. Em tal caso, encosta-me o focinho, e nada faz, como que para me dizer que está ali, apenas e só. Dá-me muito o meu cão, e acredito que todos os cães o farão, é deles. Muito mais do que o que nos exigem. Deveríamos estimá-los, quanto mais não fosse por isso. Abandonar animais é uma hedionda forma de ingratidão humana.

2 comentários:

  1. é verdade...os humanos continuam a maltratar os animais..hoje tb andava um perto da minha caSA ,penso que foi abandonado..prefiro pensar que se perdeu..mas acho que n..
    eu tenho 7 cadelas e 1 gato que adoro!

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