quarta-feira, 7 de julho de 2010

Meandros dos dias...


As falhas de planos empurram-nos para outros, que podem nem ser o pretendido, mas são qualquer coisa, e assim nos impelem. Deveríamos daqui tirar lições para a vida, dado que em muita situação assim é, e quando algo corre mal, é necessária, apenas e só, a capacidade de mudar direcções, coisa que parece fácil, mas não é não senhor, que a nossa mente enquanto programada, é pior do que a dos burros que só andam em frente. Nestas férias estranhas e em nada planeadas já se fez sei lá o quê, incluindo ver trilhos de dinossauros perdidos na serra. Sobe-se a uma altura considerável, e vê-se bem lá no alto as patas daqueles bichos tamanhos, podendo inclusive passear-se no meio das próprias pegadas, redondas e gigantescas, na beira do meu pequeno pé. Até ao local, passasse por sítios que são meus, que tenho alguns, dos quais me esqueço, relembrando-os sempre que lá passo. E ainda bem que me esqueço, senão a minha pobre mente, de tanto que por cá tem, já teria colapsado, perante a imensidão de significados, deixados aqui e ali. A fonte Moreira, onde lavei roupa com a minha avó, é uma delas. Esfregada com sabão clarim, para depois corar no sol, enquanto lanchávamos na sombra próxima. No fim do lanche, a história do mama na burra, que ouvi cem mil vezes, e da qual me esqueci há muito, não consiguindo ainda hoje perceber, esta terrível falha, da minha triste memória. A fonte quase não tinha águas, que o calor a seca por demais, mas ironicamente, na minha fonte, por demais seca e árida, algo caiu. Empurrei para dentro, que nisso sou mestra, ou melhor, era, que a malvada teimou. No regresso, passasse na ponte da pedra do rio Alviela, nos olhos de água, onde a criançada encalorada se banha ao sol das sete. Não me banhei por falta de preparo, que julgo que hoje teria quebrado o jejum das águas gélidas, tal o calor que se sentia. Ainda lá enfiamos os pés, no meio das pedras alvas e do lodo que as envolvia. Soube que nem nozes pelo fresco e pela memória. Por fim o jantar na casa dos velhinhos avós, onde no terraço e afins, encontro coisas intemporais, daquelas de que sempre me lembro, que resistem ao tempo, numa provocação directa ao meu ser, como se o bandido, só passasse por mim e não por elas. O banco de uma qualquer matéria que se desfaz há anos, mas que ainda não terminou. O vaso de barro, já sem flores e com menos cor, mas imponente como sempre. A máquina de costura bernina, tapada com a mesma capa, essa, já a dar de si. Os gatos que nascem aos magotes das gatas perdidas na vida, e que se ajuntam no final da tarde, na doce espera do que será o jantar, depositado fielmente, e em quantidade suficiente, por Dona Maria Carmina, sejam eles dois ou vinte. O sítio do meu baloiço que carunchou faz tempo, o malvado. A pereira que dá pêras do tamanho de um figo, porque sempre lhe ataca a moléstia, coisa que a minha avó, chegou a pensar ter-se apoderado de mim, tal era o meu estado de semi raquitismo enquanto gaiata.
Janta-se. Vê-se a Espanha a ganhar e com muito mérito. Regressasse, numas férias plano B, que me estão a encher a alma. Temos mesmo, é de a deixar encher, que nos entretantos da vida, já julgo que as almas vazias, são almas que não o sabem fazer.

2 comentários:

  1. Eu sei que há sítios lindíssimos por este mundo fora. Mas o nosso rectângulo não lhe fica nada atrás! E então quando é paisagem com memórias...

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  2. Linda fotografia, e lindas a férias alternativas, reinventadas :)

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