quinta-feira, 8 de julho de 2010

Juízos

Um já tinhas idade para ter juízo empurra-me ao pensamento, como se fosse preciso motor de arranque. Não, não tenho, e muito me orgulho, que no dia em que só isso tenha, serei a mais profunda das infelizes. Em tempos, ainda nova, já se assolavam de mim pequenos episódios, reveladores de uma mente que se formava, um tanto ou quanto rebelde. Que trocava as voltas às gentes que exerciam poder sobre si, com alguma arte e ardil, se assim entendesse, levar avante o seu propósito, tivesse esse juízo ou não. Intensificou-se, podia ter passado, mas não, que muito me tem dado esta vertente vadia que me povoa a alma quando a sinto atafulhar. Nada de inconsequente, ou que me leve ao infortúnio. Tenho algum dom no que toca ao peso e medida, sempre tive, e espero que me acompanhe, que se passar, fará falta, claro que sim. A continuar a acompanhar-me, poderei levar adiante a vida, sem ter aquele juízo sério, que me amoldaria a isto ou aquilo, de forma precisa e infausta. Não quero. Assim sendo, continuarei caminho, acompanhada das minhas temeridades. Quanto à idade do juízo, julgo que a tal não vira até mim. Tenho-lhe medo, respeito, e ao absoluto quero-lhe distância, que os absolutos podem ser opressores, e não me dou nada com essas coisas demasiadas. Se chegarei aos noventa ou perto também não sei. Sei que se chegar, continuarei a não ter idade para ter juízo. Ou pelo menos, assim espero.

4 comentários:

  1. Que assim seja! e que eu ainda te consiga ler!

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  2. Concordo plenamente!
    E que a vida seja vivida sempre em pleno!
    :)

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  3. E o que é isso do juízo? E da idade? Quem assim ajuízou? Bahhhhhhh!

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