quinta-feira, 29 de julho de 2010

Hoje vi amor

Chega-me a cuidadora e a sobrinha, e sorriem-me, como se em mim depositassem toda a confiança do mundo, ainda que sem me conhecerem. Deve ser mais ou menos o mesmo sentimento, que me acompanhou quando deixei pela primeira vez o meu filho no infantário, e o entreguei a alguém credenciado, obviamente, mas estranho, estranho demais para entregar em sossego, o meu bem mais precioso. A sobrinha fala, conta da doença em estado terminal do tio já nos oitenta, e pergunta-me das nossas capacidades, que existem, de tanto que são necessárias. Muitos já acompanhei assim, estranha vocação para a grande maioria, uma bênção que trago comigo, digo eu. Consigo passar-lhe alguma tranquilidade, por pouca que seja, ao ponto de me ser confiado o Senhor.
Entre as conversas, vão surgindo lágrimas no rosto da cuidadora, que arrisco, meio a medo, a questionar, pela emoção que encerravam dentro. Mas a Senhora era vizinha? Sorriem-me ambas, a suposta vizinha e a sobrinha, que me diz num sorriso terno, não, não era só. Era uma companheira de há algum tempo. Estas lágrimas que vê são amor.

É sempre lindo o amor. Aos oitenta é muito lindo. E acreditar e lutar por um, num final de vida, nem sei como definir.

2 comentários:

  1. O Amor, pode ser sentido, vivido de várias formas, de várias maneiras.
    :)

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  2. E, ainda para mais, num país de preconceitos. Maravilhoso, de facto.

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