terça-feira, 6 de julho de 2010

Da praia


A praia estava boa. Entretive-me a observar, enquanto o pequeno piolho se rebolava nas águas gélidas, onde eu pouco mais ponho do que um pé. Deparo-me, mesmo na minha frente, com uma senhora na casa dos cinquenta com tatuagens. Várias, desde uma de tamanho considerável nas costas, passando por uma no tornozelo, outra no ombro, e nem sei se alguma mais. Este carácter definitivo da arte de pintar o corpo assusta-me. Por experiências diversas, concluí que o para sempre, é uma expressão um pouco frágil para ser levada a sério. Por norma já não a profiro à boca cheia, e uso a devida cautela. Quando o para sempre é mesmo para sempre, fico a modos que assustada. Não que a dita senhora me parecesse desconfortável, que provavelmente aqueles desenhos que já foram uma obra de arte num corpo bonito, e que agora mais não são do que um defeito, num corpo deformado, já fazem parte de si. Talvez até o desconforto fosse meu e não dela, que acontece em muito boa situação, pode bem ser esse o caso. Na hora do almoço almoça-se na barraquinha da praia. Uma salada, um sumo de pêssego, e chega, que a tarde não está para brincadeiras, e é necessário manter o rebento dentro de água, tão cedo quanto possível. Ou isso, ou ter de jogar raquetes até cair para o lado, debaixo de um sol escaldante, que não apetece mesmo nada. Reparo nos entretantos na antipatia dos senhores da esplanada, que atendem com ar de enfado quem por lá decide almoçar. Compreendo o calor e o mar ali ao lado, mas ainda assim, não me parece razão suficiente para tamanha antipatia. Quando o mundo der uma volta ( ainda sonho, sim), uma das coisas que deveria mudar era o humor das pessoas que trabalham.
Já na areia, levo a cadeirinha para a beira do mar, e vejo os surfistas na sua arte. Não sou esquisita quando admiro artes, e consigo apreciar quase tudo.
Agora estou por casa. O telefonema intercontinental trouxe-me algumas novidades, incluindo a de que a ilha se assemelha a uma lua. Já começo a julgar que me tentam poupar, esnobando a delicia que gozam. Não sei, digo eu.

2 comentários:

  1. Pois, e nem te falaram da temperatura, da água morna,das mornas.... :)

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  2. Sputnick, isso não se faz :) A água morna, ai a água morna...

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