segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Das recordações...

Entrou no meu estaminé, alguém que quase já me pôs de lágrima no olho. Um idoso, que me lembra o meu avô. Um avô que tive, já não tenho, e que não deixou grandes saudades na maioria das pessoas. Tinha personalidade forte, determinada, e quem com ele privou sempre contou o mau viver que circundava a família. Eu, fui a primeira neta. Cresci perto, mas não perto de mais, e a imagem que tenho do meu avô, não coincide com a imagem construída pela boca dos outros. Embora saiba que a boca dos outros sempre falou verdade. Fui uma privilegiada, decerto, não sei. Talvez por ser primeira neta, possivelmente.
Já viúvo, visitava-o com frequência, pois trabalhava perto. Ia com ele ás compras, pois precisava sempre de leite, mesmo que atrás da porta da cozinha estivessem 20 litros... E de fruta, que se amontoava ás pargas lá por casa... E de bolos, que faziam sempre falta para adoçar uma boca que toda a vida amargou...
Nos seus últimos anos, e por razões diversas, a aproximação a ele foi grande, e a nossa relação, que sempre tinha sido boa, intensificou-se ainda mais. Quando partiu deixou-me saudades... Que ainda tenho, que vou ter sempre...
Agora agudizaram. Pelas mãos do Sr J., que me ronda a sala, com a mesma postura, com o mesmo olhar, com o mesmo ar... De qualquer forma, é uma doce melancolia. Gosto de o recordar...

1 comentário:

  1. Tenho imensa pena de não ter tido uma aproximação tão grande com o meu avô :( mas infelizmente a vida assim o quis. Morreu muito cedo, cedo demais para eu pereber que ele era importante..

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