domingo, 5 de fevereiro de 2012

Da sensação

Encontro por vezes tentativas, vãs, de definir determinadas emoções. Sentimentos, grandezas que se encontram dentro do corpo, sejam elas de carácter positivo ou não, não importa, que enclausuramos ambas dentro de nós. Deveríamos parar com isso, se precioso for o nosso tempo, que de resto, definições precisas não atingiremos nunca. Não existem palavras que cheguem para catalogar o que sentimos, é isso, pelo menos quando a grandeza se impõe. O amor, a mais definida e a mais incompreendida de todas as palavras, também me apaixona. Existe talvez quem lhe chegue perto, que terá de já o ter sentido em plenitude, mas mesmo assim, e ainda que seja dominador de todas as palavras que nos podem sair pela boca, fica no aquém. Percebo que se faça, eu própria, perco-me diariamente a tentar catalogar sentires, denominar sensações, arrumar consciências. Faz parte da nossa necessidade de condensar o que não tem arrumação, de compreender o que não se entende, de perceber o que nos escapa à abrangência. Deveríamos ser mais resignados, e deixarmos estes percursos irrealizáveis para algum ser supremo, dotado de uma qualquer faculdade que a nós nos escapa. Era sensato. Como remédio, e com o intuito de nos percebermos melhor, deveríamos entregarmos-nos com mais exclusividade às sensações. Usufruir sem tentar compreender, viver sem tentar que nos expliquem. O amor que sentem por nós pode ser grande e inexplicável. E dito pode até soar a pouco, mas sentido, e se real, soa a majestoso. Bem sei que vivemos submersos em definições, conclusões, denominações. Gostas ou não gostas, queres ou não queres, vamos ou não vamos. Acho que seríamos muito mais felizes se não dependêssemos tanto das palavras. E se acreditássemos no que os corpos nos dizem em movimentos, em acções, em emoções. Eles sim, no silêncio, sabem explicar-se.

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