sábado, 25 de fevereiro de 2012

Rigores

Se existe coisa no mundo pela qual me apaixonei há muito para não mais me desiludir, foi a nossa individualidade. Edificada muito devagarinho, em dias, minutos, instantes seguidinhos que nos constroem, e nos tornam seres únicos de personalidades singulares. E gosto desta realidade não só pela sua extraordinária beleza, mas também porque me sossega, e eu, como qualquer ser humano, necessito de sossego para existir tranquila. Desde o dia em que encarei essa essência deixei de me preocupar em demasia com tempos, épocas ou alturas em que determinada coisa deveria acontecer. Posso deixar-vos a exemplo o biberão que o meu filho mamou até tarde, muito tarde até, e que parecia interferir com o bem estar de alguma envolta próxima que se apercebia do assunto. Era tarde, muito tarde até. Não era sensato.
E foi então nesse dia onde a minha preocupação acalmou, que a minha vida pareceu encaixar numa cadeira de baloiço daquelas que existiam muito antigamente, situadas no meio de um jardim cheio de flores, floridas também elas. Nessa cadeira balanço ao sabor de mim ou de quem me está perto, solta para voar alto, presa o suficiente para não cair, mas apenas e só para não cair. E balanço de noite ou de dia, depressa ou devagar, por dentro ou por fora, sem critério definido a dedo ou a livro, e sem rigor matemático. Nunca me apeteceu matematizar a minha vida. Aquilo do um mais um igual a dois, nem sempre me faz muito sentido. Ou melhor, cada vez me faz menos sentido. Tal como não me faz sentido a rigidez de andar ao um, falar aos dois, socializar aos quatro, ler e contar aos seis, namorar aos quinze, casar aos vinte, ter filhos aos trinta, ficar velho a partir dos sessenta, morrer aos noventa, entre outras. Não tentem, por favor. Com esforço que façam, ninguém no mundo me vai conseguir convencer de que a vida é mais ou menos isto.

1 comentário:

  1. :):):) Também acho que não :):) Olha eu!... lol Linda essa imagem da cadeira de baloiço! Vou guardá-la para os dias mais agitados :):) Obrigada. Beijinho.

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