domingo, 28 de novembro de 2010

O amor e o amanhã

Dizes ter-me amor e eu, acredito. Acredito e fico feliz, como se o teres-me amor fosse uma coisa pura e inocente, quando todos sabemos que não. Há muito já conclui que o amor desprendido, o único verdadeiro e puro, é o dos pais para os filhos, quando muito o dos irmãos, e mesmo nesses casos específicos, nem todos serão, que tenho para mim que há gente, sem capacidade real para o sentir. Esse majestoso sentimento, surge-nos cá de dentro, desprovido de qualquer tipo de interesse ou proveito próprio, independentemente do que nos possa trazer, que podem ser alegrias e boas aventuranças, ou podem ser desgostos, preocupações, desilusões, enfim, uma panóplia de forças periclitantes, mas que apesar disso, em nada nos incomodam, ou seja, em nada nos mudam os sentimentos, que continuam iguais ao longo da vida, venha quem vier, aconteça o que acontecer, morra quem morrer, nasça quem nascer. Quanto aos outros, sinto-os frágeis, senão sempre, muitas das vezes.
Nem sequer questiono a veracidade do que dizes ao apregoar-me amor, ao evocares as saudades que me sentes, ao desejares-me a presença, tanto, quanto a do ar que respiras. Continuarás por certo assim, por tempo indeterminado, enquanto eu te iluminar o espírito, te acender o desejo, te acalentar a alma, coisa que um dia, é possível que passe, que somos assim, de natureza mutante e imperfeita, sendo que mudamos os gostos e as ambições, e somos egoístas ao ponto de as respeitar, mais do que a qualquer outra coisa. Atenção ao facto importantissimo, desta minha observação, não constituir qualquer tipo de reparo à nossa natureza, que assumo e aceito, e que disso, não haja a menor dúvida.
E se esse estado de evolução permanente, detém um carácter fenomenal, de percurso e progresso, não deixa de acartar esta dose de instabilidade, sendo que o que se ama hoje, pode deixar de se amar amanha. Ou então, quem sabe, pode amar-se para sempre.
Nem espero mais nada, acredita. A consciência de que assim é, já me chega. Bem como a felicidade de agora.

1 comentário:

  1. Saber-se, acreditar-se, já é tanto... Que seja para sempre um amor feliz. :*

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