domingo, 7 de novembro de 2010

Cuidados paliativos


Os cuidados paliativos, abordados por quem deles percebe, é sempre uma leitura agradável. Hoje tive esse privilégio.

Já por cá trouxe a morte diversas vezes, que de resto, de nada nos vale fugir-lhe, que nunca a venceremos, embora por vezes, julgo ser possivel esquecermos esse facto. Juntarmos-nos a ela, poderá também nem ser caminho prudente, que nos acarta sentimentos de tristeza, amargura, ou outros de carácter nefasto, em que a nossa debilidade se assume em pleno, pelo que o que nos apraz, é o escape da ignorância, que nos vale em tanto e aqui também.
Ainda assim, e quando a proximidade da dita se impõe, de nada nos serve a recusa, pelo que seria importante, e falando aqui especificamente de casos de doença prolongada, uma séria mudança de mentalidades, procedimentos e atitudes, porque é um facto, que nos dias de hoje, muitos doentes morrem mal.
Já vi muito ligado a ela, e talvez por conhece-la de perto, me choquem os panoramas actuais, que surgem amargos, débeis, como se nos resquícios da vida, nos perdêssemos enquanto pessoas, e por motivo de doença, deixássemos de merecer o respeito que nos é devido sempre, até ao final, terrível involução humana, que nem precisamos de recuar muito, para chegarmos ao tempo em que a morte surgia em casa, na grande maioria das vezes, num aconchego misto de dor e calor, pela ausência de meios que atenuassem o sofrimento. Hoje temos os meios, falta-nos o calor, grosseiramente falando, que muito embora o discurso possa até surgir tendencioso, bem sei que outrora, nos encontrávamos longe do desejável, e que o único realce positivo, é o que atrás refiro. Ainda assim, parece-me uma referência importante, dado ser uma perca considerável.
Morrer num hospital uma morte já esperada, num ambiente muitas das vezes vazio de calor humano, no meio de duas cortinas brancas, ainda que sem dor, está longe do razoável.

O avanço dos cuidados paliativos, e da formação de profissionais certificados e vocacionados para darem a mão e a ciência a quem deles necessita, é um caminho que peca apenas por tardio. O objectivo, é dotar o sistema de capacidades efectivas para a emergência de cuidadores técnicos credenciados, que orientem o cuidador directo, familiar, na maioria das vezes, a fim de possibilitar uma existência digna e isenta de dor a quem parte, diminuindo as hospitalizações consideravelmente.
Aguardo-o com expectativa, que julgo seriamente, ser uma das grandes lacunas da nossa saúde actual.

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