sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Utopias

Tenho para mim que deveria estar preparada para tudo, numa pretensão que me inunda especialmente, quando me sinto aquém. Não julguem que pretendia deter toda a sapiência do mundo, tamanha impossibilidade seria, como de resto, impossível é também qualquer plenitude de saber, nem que seja apenas e só, numa precisa área específica e concreta, onde se pode ser douto, mas nunca perfeito.
Ainda assim ambicionava, como ambiciono também outras realidades irrealizáveis, antagónica perfeição esta. A isso me permito, ou melhor, a isso tenho direito, que neste mundo onde me encontro, se há excelência que detecto é a nossa mente, pela permissão que nos dá, de construir realidades imagináveis, impossíveis ou não nem importa, importa que cá dentro, podemos viver delas quase tanto como das outras, das efectivas, se é que me explico.
Neste contexto, e na impotência que por vezes me alcança, clandestina mas certeira, como só ela sabe ser, julgo que tudo seria mais fácil se quem exerce o que exerce, o fizesse em cheio, de forma plena e inteira. Poderia aqui entrar a vocação, que me parece condição sine qua non para que a sapiência surgisse efectiva, e para que o erudito emanasse, na verdadeira acepção da palavra. E assim sendo o médico tudo curava, o padre tudo perdoava, o professor tudo ensinava e o curandeiro tudo benzia. Poderíamos continuar no raciocínio, numa enumeração infinita de todos os ofícios e mais um, mas julgo que tal nem seja preciso, que todos já devem ter entendido, onde pretendia chegar. No rol das ditas, das profissões exercidas, das tarefas cumpridas, surgiria obviamente a minha, que poderia até situar-se no fim da lista, que nem queria prioridades desmedidas. Queria apenas a possibilidade de tudo entender e tudo resolver, nem para a mim me valorizar, mas para nos outros atenuar.

1 comentário:

  1. Se é difícil tudo entender, torna-se utópico tudo resolver. Lindo, o desejo de atenuar :)

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