sábado, 6 de novembro de 2010

Dos extremos

Olho sua Santidade e repugnam-me os luxos circundantes, pela total discrepância com os ditos que pregam todos os dias. Gostaria de sentir-me mais branda, de tais exageros nem me perturbarem, que assim sendo, poderia alienar o espírito sem reservas, enquanto escutava os valores transmitidos, alusivos à peregrinação, à cultura e à família.
Quer queiramos, quer não queiramos, quer acreditemos num ou noutro credo, é quase universal a necessidade humana da crença, do apego, a uma ou outra Doutrina que nos reja, que nos suporte, que nos segure, senão sempre, pelo menos em horas de maior aflição, que assim somos em tudo, não constituindo a religião uma excepção, pelo que poderemos aqui utilizar muito a propósito, o célebre provérbio, Só te lembras de Santa Bárbara, quando faz trovões.
Há muito que me debruço sobre a capacidade que têm de monopolizar massas, de criar fanatismos, de levar a um estado limite e inumano gerações inteiras de gente alienada, que por nem encontrar na terra orientação e caminho, busca na religião o sal dos dias, a força impelente, as metas pelas quais se luta. Julgo por vezes, que o arroubamento de espírito é de tal ordem, que as próprias incoerências cometidas, por Papas, Presbíteros, Sacerdotes ou outros Pontífices, lhes escapam, tal e qual escapam amiúde, os defeitos de um amor a quem muito o ama, terrível fraqueza nos assola, seja num caso, seja no outro.
Num ápice concluo, que muitas das vezes, a religião mais não faz do que centrar-nos o espírito em questões estouvadas, que vão desde a pregação da pobreza por quem se circunda do luxo, ao desleixo da protecção na sexualidade, às guerras e destruição em massa, subjugadas à determinação religiosa.
Ainda assim, e como curiosa de mentes, admito-lhe a utilidade, e ainda as virtudes, que de resto, e a ser dispensável, há muito se teria sumido, dando lugar a qualquer outra crença globalizada, que nos permitisse a existência, sem nos transportar aos terrenos perigosos, do extremismo e da ilusão.

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