sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Cabeça no ar, ou de como as mães também falham


No meio de caóticas manhãs, em que banhos, lanches, mochilas e afins, me invadem o espírito até ao infinito, sucumbi. Nem é hábito meu, que me organizo ao pormenor, tentando a todo o custo que nada falhe esta cabeça encharcada em coisas que se devem fazer, naquela hora, naquele minuto, exactamente antes da porta bater, da chave trancar, do dia correr.
Ontem, não se deu uma dessas coisas imprescindíveis, sendo que por casa ficou o Magalhães, que para quem não sabe, faz parte do arsenal de qualquer criança de primeiro ciclo, de há um tempo a esta parte, constituindo parte integrante do material escolar, tratando-se de um pequeno computador, munido de uma programação bastante razoável, que ensina à pequenada o b-á da informática. Estão portanto apresentados, embora eu julgue, que tais apresentações nem fossem por demais necessárias, que o pobre, sem qualquer culpa, se viu atacado em diversas frentes logo após o nascimento, sem hipótese de escape, facto que por si só chega, para que todos ou quase o conheçam.
Pois que se ficou por casa, no recato da sala, fielmente depositado no seu saco de transporte azul, ao invés de seguir connosco, rumo à escola e à confusão da sala de aula. Só no fim do dia percebi o erro, quando o pequeno me aborda sobre tamanha falta por mim cometida, eu mãe esquecida e sem qualquer perdão, que num ápice desenhou em sua mente, todos os meninos afincadamente trabalhando no seu bichinho, enquanto o meu, pobre de Cristo, olhava para uma ficha substituta, fornecida pela Professora, que para dentro deve ter pensado um ror de atrocidades, respeitantes à minha negligente pessoa.
Pois que fiquei com a tremenda sensação, de mãe que corre e se esquece de coisas, terrível sentimento este, suficiente por si só, para a génese de uma crise de consciência, na minha fraca pessoa. Valeu-me o pequeno, que me disse ao ouvido, perante o meu desespero, deixa mãe, eu também me esqueci. E não faz mal, fiz com o Gui.

Obrigado meu querido. Nem sabes o peso que me tiras-te.

( História ligeiramente dramática e empolgada. Mas ainda assim, não muito. A minha mãe, no seu tempo, não teve direito a esta animação.)

4 comentários:

  1. Faz parte da educação providenciar à nossa desendência situações inesperadas, mas altamente securizadas, onde se pode desenvolver o instituto de sobrevivência, tão precioso nos dias que correm.
    Teste superado com excelência pelo descendente. Estas a fazer um bom trabalho.
    Dentro de 2, 3 meses volta a testar outra situação. A ver no que resulta.

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  2. Enquanto não te esqueceres dele, está tudo bem :)

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  3. Além de mães somos humanas o que se pode fazer? Um abraço

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  4. A minha filha está no 4º ano e tem o Magalhães desde algures pelo 2º ano (acho eu...bem pelo menos já o tem há um certo tempo). Sabes quantas vezes o levou para a escola ao longo deste ano e tal ou 2 anos? 1 vez :). Maria_S

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