quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Da greve

Diz-me em soluço, que o serviço de oncologia que acompanha o pai, se encontra inactivo ou quase, por motivos de greve geral. O Sr Tomé, encontra-se por ora na urgência do Hospital, aguardando alguém que lhe possa acudir às dores, no meio de uma sala de espera pejada de gente, no meio de um serviço mínimo garantido. Nem me proponho a dissertar sobre a greve, que cada um age de acordo com o que considera por bem agir, sendo que a mim, nada me choca quem resolve fazer ou quem resolve não fazer, é um direito, cada um usa como bem entende. Ponto.
Quanto ao serviço de saúde em questão, reservo-me no direito de deixar umas linhas, para que pensem comigo, se assim o entenderem, obviamente. O serviço, residente num estabelecimento distrital de saúde, fechou na passada semana um tempo considerável, por um problema inesperado, que precisou de alguns dias de resolução, sendo que os doentes necessitaram de adiar os tratamentos de quimioterapia, por falta de recursos medicamentosos disponíveis. Hoje, passados uns poucos dias, o serviço não funciona devidamente, porque os profissionais deram uso ao seu direito à greve. Quem do serviço necessita, o tal, que deveria funcionar sempre, nem que fosse em serviços mínimos ( que poderemos aqui questionar o que são, que a existirem efectivamente, não permitiriam um serviço inactivo, ou sem resposta suficiente), por esta hora, possivelmente, e tal como fez na passada semana, solicita ao seu próprio corpo uma greve de dor. Que venha mais logo, amanha, se puder ser, ou que ao menos, acalme, até algum enfermeiro do serviço de urgência, atafulhado em trabalho até ao tutano, disponha de uns minutinhos para dele se ocupar. Com sorte, o corpo cede.
Volto a frisar que não me choca a greve. Volto a frisar que a mesma constitui um direito, a usar por quem bem entende fazê-lo, quando respeita, obviamente, as necessidades efectivas de uma Sociedade em movimento. Julgo porém, que num País de fracas soluções e inúmeras carências, talvez seja bom pensar a fundo, o uso que se dá aos direitos que temos. Nos prós e nos contras, por assim dizer. E se efectivamente, existe a possibilidade das reivindicações pretendidas, ou se, o resultado da mesma, não será apenas e só, um conjunto de consequências nefastas para quem dos serviços necessita, sem possibilidades de resolução concreta do que quer que seja.
Eu, não fiz greve.

2 comentários:

  1. E dos que mais precisam! É que são, precisamente, os que mais precisam! Porque os outros têm sempre recursos...

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