sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Volatilidade

E diz-me então que se procura, embora em tempos, tenha julgado encontrar-se para todo o sempre, erro crasso, que tal nem se afigura uma possibilidade credível.
Isto das procuras do Eu, nem sempre é fácil, que procurar outros, é tarefa muito menos delicada, sendo que se busca isto aqui, aquilo ali, e no cômputo geral, conseguimos que quem nos circunda seja o reflexo de nós, embora distribuído por bocadinhos, aos quais recorremos de acordo com a situação. Cá dentro, no nosso Eu, afiguram-se outras dificuldades, que deveremos reunir dentro de nós mesmos, um conjunto satisfatório, sob pena de nos desorganizarmos para além do desejável.
De resto, e começo por aí mesmo, os encontros nem são estáticos, efectivos e eternos, que evoluímos, ou não fôramos gente. O que somos hoje, por certo não seremos amanhã, que a sermos, encontrar-nos-íamos emergidos numa estagnação desmedida, que mais não faria do que pôr em questão todos os princípios que nos regem, que nos encontramos subjugados à evolução, em todos os sentidos entenda-se, seja enquanto pessoas, seja enquanto espécie.
Daí existirem tarefas inacabadas, ou seja, que são nossas para sempre, que muito embora vamos concluindo devagarinho, quase chegando a julgar termos atingido o limite, quando a felicidade se instala, logo descobrimos, passadas umas horas, uns dias, quiçá uns anos, que a realidade de há pouco já se encontra em mudança, sendo que algo de novo emerge, despoletado por tudo ou por nada em concreto, apenas e só porque é essa a nossa natureza.
Compreendo o carácter volátil dos sentimentos que se experimentam nestas mudanças ferozes a que nos sujeitamos em prol do nosso crescimento. O ponto de partida deverá ser a aceitação desse estado mutante, que ao invés de nos assustar, deverá dar-nos alento, que a pararmos um pouco e a pensarmos de forma coerente, iremos perceber que, a sermos estáticos, entraríamos num buraco sem fundo, numa espiral continua e inalterável, que nada nos daria enquanto gente.

O problema seguinte que me abordam, e no qual por ora me debruço, é a aceitação de novas realidades, por vezes díspares dos caminhos percorridos até então, ocorrência que pode exigir de nós, mais do que o que nos é possível dar.
Falemos nisso depois.

A propósito, ando maçadora. Secante, ou assim. Prometo ainda hoje um post de sapatos.

2 comentários:

  1. :):):) Gosto mais destes do que dos sapatos :):)

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  2. Maçadora? Nunca. Se a minha opinião valer alguma coisa - não mudes!
    Dos sapatos já sei, vão ser de saltos. Que tal umas sapatilhas? :)

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