segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Maternidade, ou de como por vezes, eles também são pais...

Já nem a via há muito, tendo inclusive até, esquecido a sua existência, que me acontecem amiúde estas situações, de esquecer gentes durante tempos infinitos, até que por obra do acaso, ou de qualquer uma outra circunstância, de novo as encontro e relembro tudo outra vez. Julgo que esta capacidade se encontra extremamente ligada com a nossa memória selectiva, sendo que esquecemos com frequência o que nem é importante para nós, também de resto, nem nos seria possível guardar na memória activa toda a gente e mais alguém, coisa que mais não nos faria, do que colapsar-nos com excesso de informação, muita dela totalmente desnecessária, pelo que muito louvo esta nossa capacidade de arrumo, de carácter totalmente indispensável.
O ar é o mesmo de há uns sete anos, mais coisa menos coisa, altura em que com ela privei pela última vez, que tínhamos engravidado na mesma altura, parido na mesma altura, ela um pouco antes, e divorciado na mesma altura, tanta coincidência que até parece mentira, mas não é.
A filha dela nasceu antes do tempo, resultante de uma queda em gravidez que lhe desencadeou o parto prematuramente, o que fez com que a pobre criança nascesse pequena de meter dó. As complicações decorrentes, fizeram com que o seu desenvolvimento fosse muito lento, sendo que quando a vi pela primeira vez, assemelhava-se a um qualquer ser estranho, já com feições definidas mas muito pequena, mais pequena do que qualquer outro bebé que por cá vi neste mundo, e que já foram muitos.
No decorrer da separação, a pequena boneca fica com o pai, e a mãe segue caminho, com outro alguém que a fez mais feliz, e que a levou para longe. Um longe que nem muito durou, tendo no entanto sido suficiente para que outra criança lhe nascesse, esta de termo, segundo hoje me confidenciou, que num ápice fez questão de me colocar ao corrente de todos os episódios significativos de sua vida, como se deles eu necessitasse. Valeu-me em muito o despacho da analista, que me tirou da sala de espera com alguma rapidez, e me poupou ao infortúnio de um discurso que dispensava totalmente, e do qual ainda ouvi um bom terço.
Nenhuma delas a acompanha, que de resto, a competência enquanto mãe, nem é qualidade que a assista, palavras dela, e para além disso, sabes como é, diz-me, tenho de trabalhar, e o tempo escasseia. Eles também são pais.

Sorrio-lhe. Nem sequer a condeno, que de resto, nem me cabe fazê-lo. Também não a invejo.

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